Na quarta-feira, três petroleiros do Irã deixaram o Golfo Pérsico através do Estreito de Ormuz, transportando um total de cinco milhões de barris de petróleo. Esta é a primeira movimentação desse tipo desde que os Estados Unidos impuseram um bloqueio aos portos iranianos, conforme reportado na sexta-feira, 17, pela empresa de análise marítima Kpler à agência AFP.
A Kpler revelou que os navios Deep Sea, Sonia I e Diona partiram da Ilha de Kharg, que é responsável por aproximadamente 90% das exportações petrolíferas do Irã, e seguiram rumo ao exterior pelo estreito.
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Até quinta-feira, a Marinha dos EUA afirmou que nenhum navio sob as restrições do bloqueio havia conseguido passar pelo Golfo de Omã, e que 13 embarcações haviam retornado devido a ameaças de ataques.
A travessia desses petroleiros representa a primeira saída registrada desde 10 de abril, quando o navio Starla deixou a região antes das restrições se tornarem mais severas. A confirmação da movimentação foi apoiada por imagens de satélite que mostraram os três navios transitando pelo estreito na quarta-feira.
Bloqueio americano
O bloqueio promovido pelos EUA começou em 13 de agosto. Após o fracasso das negociações de paz com o Irã no último fim de semana, o presidente Donald Trump ordenou um cerco completo à passagem marítima, autorizando a interceptação de embarcações cujo destino ou origem fossem portos iranianos. Essa operação envolveu cerca de 10 mil militares, além de quinze navios de guerra e uma frota aérea composta por aviões e helicópteros para monitorar uma área que abrange o Golfo de Omã e o Mar Arábico — o Estreito de Ormuz conecta essas águas ao Golfo Pérsico, onde estão localizadas as monarquias árabes produtoras de petróleo.
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A estratégia dos Estados Unidos visa pressionar a indústria petrolífera iraniana, fundamental para sua economia e que representa entre 10% e 15% do PIB do país. Além disso, busca-se interromper os pagamentos conhecidos como “pedágio de Teerã”, que permitiram a passagem seletiva de navios pela importante rota marítima mediante um custo aproximado de US$ 2 milhões.
<pApesar disso, o governo iraniano já havia anunciado que estava utilizando portos alternativos para evitar a fiscalização da Marinha dos EUA e informou que dois barcos conseguiram romper o bloqueio e atravessar o Estreito.
O Estreito de Ormuz, uma rota vital onde cerca de 20% do petróleo e gás consumidos globalmente transitam, foi considerado efetivamente fechado pelo Irã no início da guerra como resposta aos ataques sofridos dos EUA e Israel. Durante esse conflito, o número diário de embarcações passando pelo estreito caiu drasticamente, passando de 130 para apenas seis.
A abertura da passagem deveria ocorrer com base em uma trégua estabelecida em 8 de abril, com validade inicial até terça-feira, dia 21. No entanto, essa reabertura não se concretizou devido a divergências sobre os termos acordados — especialmente em relação à continuidade dos bombardeios israelenses contra o Líbano.
<pNesta sexta-feira, Abbas Araghchi, ministro das Relações Exteriores do Irã, declarou que todas as embarcações comerciais agora têm liberdade total para transitar pelo Estreito. Segundo ele, essa decisão foi tomada após a implementação da trégua no Líbano.
“Em alinhamento com o cessar-fogo no Líbano, todas as embarcações comerciais estão liberadas para passar pelo Estreito durante todo o período vigente da trégua”, publicou Araghchi em sua conta no X (ex-Twitter).
Mobilização internacional
Nesta mesma sexta-feira, líderes da França e do Reino Unido vão conduzir uma reunião com aproximadamente 40 países sobre esforços para reabrir o Estreito de Ormuz. Os Estados Unidos não estarão presentes neste encontro.
O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, se encontrou com o presidente francês, Emmanuel Macron, no Palácio do Eliseu na manhã desta sexta-feira. Em Paris, ele afirmou estar disposto a “fazer tudo ao seu alcance” para minimizar os efeitos econômicos da guerra no Irã e facilitar a reabertura dessa passagem crucial.
“A imediata e incondicional reabertura do estreito é uma responsabilidade compartilhada globalmente; precisamos agir para restabelecer o fluxo livre da energia e comércio internacionais”, enfatizou Starmer. Ele também acusou o Irã de “manter a economia mundial refém” ao bloquear as rotas marítimas na região.
