Trump adia prazo, porém Israel promete intensificar ofensivas contra o Irã

0 0

Um dia após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, adiar em impressionantes dez dias o prazo para o Irã responder à sua proposta de cessar-fogo ou ver suas usinas elétricas “obliteradas”, seu parceiro de bombardeios, Israel, anunciou nesta sexta-feira, 27, que pretende “intensificar” os ataques e fazer a República Islâmica pagar “um preço alto”.

“Apesar dos avisos, os disparos continuam – consequentemente, os ataques das Forças de Defesa de Israel (IDF, na sigla em inglês) contra o Irã serão intensificados e expandidos para outros alvos em setores que ajudam o regime a desenvolver e usar meios militares contra civis israelenses. Eles pagarão um preço alto, cada vez mais alto, por esse crime de guerra”, disse o ministro da Defesa israelense, Israel Katz, em um vídeo divulgado por seu gabinete.

O alerta é mais uma evidência de que o cabo de guerra entre Trump e Benjamin Netanyahu, tende a se acirrar. A guerra fez crescer o prestígio do primeiro-­ministro, já que toda a população israelense gostaria de extinto governo fundamentalista xiita, que quer varrer o país do mapa. Enquanto isso, o americano busca formas de sair de maneira honrosa de uma guerra cheia de complicações.

Segundo informações obtidas pela agência de notícias Reuters, mais de 1.900 pessoas foram mortas e pelo menos 20 mil ficaram feridas no Irã desde o início dos ataques dos americanos e israelenses, em 28 de fevereiro. Só há uma organização humanitária atuando no país, o Crescente Vermelho Iraniano, de acordo com Maria Martinez, da Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho (FICV).

Na noite de quinta-feira 26, o líder da oposição israelense, Yair Lapid, alertou pela primeira vez o governo de seu país de que a guerra está causando um número excessivo de baixas.

“As Forças de Defesa de Israel estão sobrecarregadas. O governo está abandonando o Exército ferido no campo de batalha”, disse Lapid, ecoando um aviso feito um dia antes pelo chefe das Forças Armadas, o tenente-general Eyal Zamir. “O governo está enviando militares para uma guerra em múltiplas frentes sem uma estratégia, sem os meios necessários e com um número muito reduzido de soldados”, acrescentou o opositor.

Ultimato adiado

Na noite de quinta-feira, Trump anunciou que, a pedido de Teerã, adiou para 6 de abril sua ameaça de destruir a infraestrutura energética do Irã e indicou que as negociações vão “muito bem”.

“De acordo com o pedido do governo iraniano (…) esta declaração serve para anunciar que suspendo o período de destruição de usinas de energia por 10 dias, até segunda-feira, 6 de abril de 2026, às 20h00 (21h00 de Brasília)”, disse Trump em sua rede, a Truth Social. “As conversas continuam e, apesar das declarações equivocadas dos meios de comunicação de notícias falsas e de outros, vão muito bem.”

No sábado, o presidente havia dado inicialmente 48 horas ao Irã para reabrir o Estreito de Ormuz, sob a ameaça de destruir as usinas elétricas do país. Na segunda-feira, em uma reviravolta inesperada, anunciou que ambos os países haviam iniciado negociações “muito boas e frutíferas”, razão pela qual concedeu um novo prazo, de cinco dias, que vencia nesta sexta-feira.

O Irã tem dado sinais contraditórios sobre a possibilidade de negociações. Na noite de terça-feira, surgiram os primeiros relatos de que o governo Trump criou um plano de 15 pontos para encerrar as hostilidades no Oriente Médio, apresentado no dia seguinte aos iranianos por intermédio do Paquistão. A trégua inicialmente de trinta dias viria com restrições severas ao arsenal de mísseis balísticos iraniano, fim total do seu programa de enriquecimento de urânio e o compartilhamento do controle do Estreito de Ormuz. Em troca, as sanções contra a nação persa seriam suspensas.

Oficialmente, a mídia estatal iraniana informou que Teerã rejeitou a proposta, listando suas próprias condições para o fim da guerra, que incluem o pagamento de indenização por danos, o fim dos ataques contra grupos armados que formam seu “eixo da resistência” na região e a reafirmação de sua soberania sobre o Estreito de Ormuz. Reservadamente, porém, alguns veículos de imprensa sugerem que autoridades iranianas estão, pelo menos, analisando o plano.

Enquanto isso, o ministro das Relações Exteriores paquistanês, Ishaq Dar, confirmou pela primeira vez na quinta-feira que há negociações indiretas em curso entre Washington e Teerã, e que Islamabad atua como intermediário. Trump, por sua vez, anunciou que a Guarda Revolucionária Islâmica, exército ideológico dos aiatolás, permitiu a passagem de dez petroleiros pelo Estreito de Ormuz como “sinal de boa fé” e um “presente” aos Estados Unidos em meio às tratativas.

Happy
Happy
0 %
Sad
Sad
0 %
Excited
Excited
0 %
Sleepy
Sleepy
0 %
Angry
Angry
0 %
Surprise
Surprise
0 %