O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, afirmou hoje que a decisão da Finlândia de suspender a lei que proíbe o país de receber armas nucleares pode representar uma ameaça para a Rússia. Peskov declarou que Moscou reagiria caso armamento nuclear fosse implantado em um país com quem compartilha uma fronteira de 1.300 quilômetros.
“Essa declaração aumenta a vulnerabilidade da Finlândia, causada pelas ações das autoridades finlandesas. Ao permitir armas nucleares em seu território, a Finlândia está nos ameaçando. Se a Finlândia nos ameaçar, tomaremos as medidas apropriadas”, disse Peskov a repórteres, destacando que Helsinque está provocando uma escalada de tensões na Europa.
A declaração do Kremlin ocorreu após o governo finlandês anunciar planos de permitir a presença de armas nucleares em tempos de guerra, alinhando-se aos vizinhos nórdicos.
A emenda proposta visa a defesa militar da Finlândia em uma aliança e a utilização da dissuasão e defesa coletiva da Otan. A Finlândia, que compartilha fronteira com a Rússia, permaneceu neutra durante a Guerra Fria, mas aderiu à aliança liderada pelos Estados Unidos em 2023, após a invasão russa da Ucrânia, seguida pela Suécia.
A Lei de Energia Nuclear, aprovada em 1987 pelo Parlamento finlandês, proíbe a importação, fabricação, posse e detonação de explosivos nucleares no país. Alguns cidadãos acreditam que essa restrição poderia beneficiar a Rússia em um eventual conflito. Já os vizinhos Suécia, Dinamarca e Noruega mantêm políticas contrárias à presença de armas nucleares em seus territórios em tempos de paz, sem proibições em situações de guerra.
