Na última sexta-feira, 22, o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, destacou a necessidade de discutir a “frustração” do presidente Donald Trump em relação aos aliados da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). Segundo Rubio, essa insatisfação decorre da percepção de que os parceiros não estão apoiando adequadamente as ações americanas no Irã.
Rubio se reuniu com outros ministros das Relações Exteriores da aliança em Helsingborg, na Suécia, para avaliar a atual situação do grupo militar antes da cúpula que reunirá os chefes de Estado dos 32 países membros em Ancara, Turquia, programada para julho. Ele enfatizou que essa reunião será “uma das mais significativas da história da Otan”.
<pApós agradecer à Suécia por hospedar o encontro ministerial, Rubio alterou o tom. "As preocupações do presidente (Trump), especialmente sua decepção com alguns aliados da Otan e a resposta deles às nossas operações no Oriente Médio, que já foram bem documentadas, precisam ser discutidas, embora não sejam resolvidas neste momento”, declarou ele durante uma conversa informal nos arredores da reunião.
Ele ainda explicou que o objetivo não é impor “medidas punitivas” devido às restrições impostas por alguns aliados, como a proibição de uso das bases militares compartilhadas, mas sim abordar questões que já existem há algum tempo.
Tensões Recentes
A cúpula na Suécia ocorre em um contexto de tensões recentes. No início deste mês, Washington anunciou abruptamente a retirada de 5 mil soldados da Alemanha, uma decisão que se seguiu a um desentendimento entre Trump e o chanceler alemão, Friedrich Merz. O chanceler havia criticado os Estados Unidos ao afirmar que o Irã estava “humilhando” o país na guerra.
No dia seguinte, Trump surpreendeu ao anunciar o envio de 5 mil tropas para a Polônia, indicando uma mudança nas diretrizes estratégicas. Isso ocorreu logo após o Pentágono ter cancelado um envio previamente agendado para o mesmo país – uma ação considerada significativa na fronteira leste da Otan.
A decisão foi bem recebida pelo secretário-geral da Otan, Mark Rutte, e pelo chanceler polonês. No entanto, levantou preocupações sobre a falta de coordenação entre os EUA e seus aliados.
“É realmente confuso e nem sempre fácil saber como proceder”, comentou Maria Malmer Stenergard, ministra das Relações Exteriores da Suécia.
Rubio minimizou as inquietações sobre a situação atual. “Os Estados Unidos mantêm compromissos globais que precisam ser honrados quanto ao nosso destacamento militar, e isso requer uma revisão constante de onde posicionamos nossas tropas”, afirmou ele.
Diplomatas ressaltaram que o objetivo principal durante a reunião na Suécia é preparar o terreno antes da cúpula em Ancara em julho, onde será debatido também o aumento dos gastos com Defesa pelos países europeus.
