Desde o início do ano, a prefeitura de Paris suspendeu 78 monitores escolares, sendo 31 por suspeitas de abusos sexuais, anunciou o recém-eleito prefeito Emmanuel Grégoire nesta sexta-feira, 3.
“Temos que rever tudo desde o início com um objetivo: tolerância zero”, disse o prefeito socialista ao apresentar à imprensa um plano de ação que promete “transparência total” às famílias.
A proposta prevê uma reavaliação completa dos procedimentos da rede municipal, com foco na prevenção de agressões, especialmente durante atividades extracurriculares. Em declaração ao jornal Le Monde, Grégoire afirmou que o plano inclui investimentos de 20 milhões de euros, com possibilidade de ampliação para mais 10 milhões (um total de aproximadamente R$ 178 milhões).
Entre as medidas previstas estão a revisão dos critérios de seleção dos monitores, o reforço na formação dos profissionais, a criação de canais mais acessíveis para denúncias e o aumento da transparência com os pais. Na capital francesa, os monitores são contratados pela prefeitura e acompanham as crianças fora do horário de aula, principalmente no período da tarde e antes da saída dos alunos.
“Nossa responsabilidade é coletiva”, afirmou Grégoire ao jornal francês. “Em muitos desses casos, minha sensação é que, se houve um erro coletivo, foi tomar esses casos como casos isolados quando eles refletem um risco sistêmico e talvez até uma omerta sistêmica.”
O prefeito de Paris ainda se comprometeu a divulgar trimestralmente estatísticas dos casos e o número de monitores suspensos. Segundo ele, crianças da educação infantil são especialmente vulneráveis, e a maioria dos suspeitos são homens.
“Vamos criar uma cadeia de denúncia simples, acessível e identificada pelos agentes, pelos pais e pelas próprias crianças para cada escola. (…) Alguns pais estão zangados conosco, só posso entendê-los, pedir-lhes perdão e prometer que agiremos pela segurança de seus filhos”, acrescentou o político, que declarou ter sido ele próprio vítima de abuso na infância.
No ano passado, 30 monitores foram afastados, sendo 16 por suspeitas de abuso sexual. Desde janeiro, nove pessoas vinculadas a uma mesma instituição foram suspensas por suspeitas de violência física e sexual. Pais de alunos afirmaram não ter sido informados sobre os casos pela direção.
