O Exército de Israel lançou nesta sexta-feira, 6, uma série de ataques “em larga escala” contra Teerã como parte de uma “nova fase” da guerra ao Irã, que também se estendeu ao Líbano com fortes bombardeios sobre Beirute. O conflito, desencadeado no último fim de semana por uma ofensiva dos Estados Unidos em conjunto com os israelenses, foi ampliado para todo o Oriente Médio devido às retaliações da República Islâmica.
A imprensa iraniana, incluindo a televisão estatal Irib, informou na manhã de sexta-feira uma série de explosões em vários bairros da capital. As Forças Armadas israelenses anunciaram que o alvo era “a infraestrutura do regime terrorista iraniano em Teerã”.
As autoridades iranianas também relataram ataques com mísseis em Shiraz, no sul do país, que deixaram pelo menos 20 mortos, um balanço ainda não verificado por fontes independentes. Outros trinta teriam ficado feridos no que o vice-governador da província de Fars, Khalil Hasani, chamou de “ataque terrorista à área residencial de Ziba Shahr”. A agência Irna anunciou um balanço de 1.230 mortos no Irã desde sábado.
No Líbano, os subúrbios do sul da capital, Beirute, também foram bombardeados nesta sexta por Israel, informou a agência estatal de notícias Ani. Foram registrados ataques na região de Baalbek, leste do país, e na cidade de Sidon. Desde a segunda-feira, segundo as autoridades locais, os disparos israelenses mataram pelo menos 123 pessoas e deixaram outras 683 feridas.
O comandante do Estado-Maior israelense, Eyal Zamir, anunciou na quinta-feira 5 que a guerra entrou em uma “nova fase”.
“Após a execução bem sucedida da etapa do ataque surpresa, durante a qual estabelecemos nossa superioridade aérea e neutralizamos a rede de mísseis balísticos, passamos agora à próxima fase da operação”, declarou.
Zamir reiterou que Israel prosseguirá com o “desmantelamento do regime” iraniano e de suas capacidades militares e que o Estado judaico ainda tem “mais surpresas reservadas” contra Teerã.
A guerra provocou um grande impacto nos mercados econômicos mundiais, enquanto a duração permanece incerta.
“Estamos apenas no começo dos combates”, afirmou na quinta-feira o secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, antes de destacar que Washington dispõe de munição suficiente para seguir com a campanha “pelo tempo que for necessário”.
O presidente Donald Trump declarou ao canal NBC News que enviar tropas terrestres ao Irã seria “uma perda de tempo”, já que os iranianos “perderam tudo”, e também exigiu “participar” na definição do sucessor do aiatolá Ali Khamenei, que morreu no primeiro dia de bombardeios de seu país e de Israel contra o Irã. Ele afirmou que o filho do líder supremo não era “aceitável” em sua opinião para dirigir o país.
Enquanto isso, o chefe da diplomacia iraniana, Abbas Araghchi, declarou ao canal americano NBC que seu país não buscava um “cessar-fogo, nem negociações”.
Contra-ataques
No sétimo dia de guerra, o Irã parece conservar a capacidade ofensiva. Arábia Saudita e Catar anunciaram nesta manhã que impediram ataques com drones e mísseis contra bases aéreas. No Bahrein, um hotel e vários prédios residenciais foram atingidos.
A Guarda Revolucionária, o exército ideológico iraniano, anunciou uma nova salva de projéteis contra Tel Aviv, onde foram ouvidas oito explosões na manhã desta sexta, após um alerta de mísseis iranianos, informaram jornalistas da AFP. Os serviços de emergência do Magen David Adom não registraram vítimas.
O grupo pró-iraniano Hezbollah, contra o qual Israel conduz uma ampla ofensiva no Líbano, também informou que lançou foguetes e artilharia em direção ao território da nação vizinha. O Exército israelense recebeu na véspera a ordem de avançar mais profundamente no sul libanês para ampliar sua zona de controle na fronteira, segundo o general Zamir.
Em Israel, o conflito deixou pelo menos 10 mortos, segundo as autoridades.
