O Irã realizou a execução de três homens por enforcamento na quinta-feira 19, após serem considerados culpados pelo assassinato de dois policiais durante os protestos antirregime que aconteceram em janeiro. Um dos executados, Saleh Mohammadi, de apenas 19 anos, era um atleta premiado da seleção nacional de wrestling, conforme relatado por grupos de defesa dos direitos humanos.
A aplicação da pena de morte a Saleh foi alvo de controvérsias, com alegações de que sua confissão teria sido obtida sob coerção.
A agência de notícias Tasnim, vinculada às forças de segurança do Irã, divulgou que os três homens foram julgados e executados na cidade de Qom. Além do lutador, Mehdi Ghasemi e Saeed Davoudi também perderam suas vidas. O veredito em relação aos assassinatos dos policiais foi acompanhado da acusação de “moharebeh”, ou “guerra contra Deus”, um crime passível de pena de morte e frequentemente utilizado pelas autoridades iranianas contra dissidentes.
A agência de notícias afirmou que os homens admitiram os crimes, que as execuções ocorreram após “procedimentos legais” e que tiveram advogados de defesa. No entanto, organizações de direitos humanos apontam que as autoridades iranianas rotineiramente obtêm confissões forçadas de réus por meio de pressão, incluindo confinamento solitário, ameaças contra familiares e tortura.
No ano de 2025, o Irã executou mais de 2.000 pessoas, o maior número em um ano desde 1989, de acordo com informações do Centro Abdorrahman Boroumand para os Direitos Humanos no Irã, sediado em Washington.
A Human Rights Watch denunciou no mês passado que autoridades iranianas realizaram prisões arbitrárias e submeteram os detidos à tortura durante e após os protestos em massa contra o governo no início do ano. Estima-se que entre 4 mil e 30 mil pessoas, incluindo mais de 200 crianças, tenham sido mortas pelas forças estatais durante os protestos.
O Centro Abdorrahman Boroumand informou que Saleh era da cidade de Qom e foi preso em 15 de janeiro, sendo condenado à morte no início de fevereiro. Segundo relatos da Anistia Internacional, ele afirmou ao tribunal que confessou o crime “sob tortura e outros abusos”.
“A execução pública dele não promove a responsabilização nem a justiça”, afirmou o Centro Abdorrahman Boroumand nas redes sociais na quinta-feira. “Pelo contrário, é uma punição cruel, desumana e degradante, destinada a incutir terror”.
