Os resultados iniciais das eleições locais no Reino Unido, divulgados nesta sexta-feira, 8, indicam uma significativa queda do Partido Trabalhista, de orientação esquerdista, enquanto a extrema direita, representada pelo Reform UK, obteve um avanço notável. Este pleito foi o primeiro grande teste para o primeiro-ministro trabalhista Keir Starmer desde sua ascensão ao cargo em julho de 2024 e evidencia a crescente fragmentação da política britânica, que historicamente era dominada pela alternância entre os trabalhistas e o Partido Conservador, agora desafiada por uma nova força ultranacionalista liderada por Nigel Farage.
Starmer assumiu publicamente “a responsabilidade” pelos resultados “dolorosos” desta eleição, mas rejeitou qualquer ideia de renúncia.
“Eventos como este não abalam minha determinação em implementar as mudanças que prometi”, declarou o primeiro-ministro em Londres. Ele também comentou que “os eleitores enviaram uma mensagem sobre a velocidade das transformações que desejam em suas vidas. Não fugirei destes desafios nem conduzirei o país ao caos”.
Farage, à frente do Reform UK, expressou satisfação com os resultados durante a contagem dos votos que favorecem sua legenda.
“Estamos testemunhando uma transformação histórica na política britânica”, afirmou em um discurso realizado em Londres. “Estamos competitivos em todas as regiões do país. Somos o partido mais nacional e viemos para ficar”, completou.
Perdas significativas
A apuração dos resultados parciais das eleições ocorridas na quinta-feira, dia 7, abrange apenas a Inglaterra até agora. A contagem de votos ainda está em andamento no País de Gales e na Escócia.
Até o momento, apenas 40 das 136 autoridades locais inglesas divulgaram seus resultados. As informações preliminares mostram o Reform UK liderando com mais de 350 cadeiras conquistadas nas assembleias locais. O Partido Trabalhista garantiu apenas 249 assentos, resultando numa perda total de 245 cadeiras nas autoridades locais, conforme dados da BBC.
A extrema direita teve um desempenho positivo em diversas áreas tradicionalmente trabalhistas no norte da Inglaterra e nas Midlands (região central).
No total, mais de 5 mil cargos locais estavam em disputa na Inglaterra, parte de um total de 16 mil disponíveis no Reino Unido. As eleições não incluíram a escolha para prefeitos de cidades como Londres; no entanto, ocorreram votações para os conselhos municipais de 32 distritos da capital. A eleição para prefeito será realizada em 2028.
Nenhum dos principais responsáveis por cidades como Liverpool ou Newcastle foi eleito nesta rodada, assim como não houve votações diretas em Manchester ou Birmingham, mas sim nas suas áreas metropolitanas (Greater Manchester e West Midlands).
A previsão já indicava uma derrota para os trabalhistas e um crescimento significativo do Reform UK. Contudo, os resultados esperados podem ser ainda mais preocupantes para Starmer, com a possibilidade de perder seu bastião galês nas eleições regionais—a primeira vez desde a criação do Parlamento nesse território britânico em 1999.
Diminuição da popularidade
No País de Gales, pesquisas recentes apontavam ligeira vantagem do partido nacionalista esquerdista Plaid Cymru sobre o Reform UK antes da votação.
Na Escócia, há temor entre os trabalhistas acerca de uma possível derrota severa que poderia deixá-los atrás do Reform UK.
Entretanto, as pesquisas indicam que o parlamento escocês deve permanecer sob controle do partido independentista Scottish National Party (SNP), que está no poder há 19 anos.
A popularidade de Keir Starmer caiu significativamente desde sua chegada ao poder com uma vitória expressiva sobre o Partido Conservador—que governava há 14 anos—devido a uma série de erros e controvérsias. Isso gerou dentro do próprio partido pressões para sua substituição e provocou divisões internas.
A questão da imigração tem gerado descontentamento entre muitos cidadãos britânicos; desde 2018, cerca de 200 mil migrantes clandestinos chegaram ao Reino Unido pelo Canal da Mancha.
A desaprovação a Starmer se intensificou nos últimos meses após a nomeação de Peter Mandelson como embaixador em Washington devido aos seus vínculos com o falecido criminoso sexual americano Jeffrey Epstein.
