Vítimas de Epstein processam governo dos EUA por violação de privacidade

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Um grupo de vítimas de Jeffrey Epstein entrou com uma ação judicial contra o governo do presidente Donald Trump e o Google na quinta-feira 26 pela divulgação de suas identidades e informações privadas na publicação dos mais de 3 milhões de documentos relacionados ao falecido financista, condenado por criar uma rede de exploração sexual de mulheres.

O Departamento de Justiça dos Estados Unidos “revelou a identidade de quase 100 sobreviventes do predador sexual condenado, ao publicar suas informações privadas e identificá-las ao mundo”, afirma a ação apresentada ao tribunal federal do Distrito Norte da Califórnia.

O processo ocorre após os advogados das vítimas solicitarem, no início do ano, que milhões de arquivos relacionados ao caso Epstein fossem retirados do ar, alegando a existência de milhares de falhas na ocultação de informações pessoais. O jornal americano The New York Times encontrou dezenas de fotos de pessoas nuas no lote, que incluíam os rostos das vítimas. Na ocasião, o governo afirmou ter removido os documentos com erros e se comprometeu a continuar revisando os materiais.

“Mesmo após o governo reconhecer que a divulgação violava os direitos das sobreviventes e retirar as informações, sites como o Google continuam publicando as informações de maneira contínua, rejeitando os apelos das vítimas para a retirada”, diz o novo processo.

As vítimas também acusam o Google de não utilizar ferramentas disponíveis para remover conteúdos sensíveis de seus resultados de busca, classificando a conduta da plataforma como negligente.

“As sobreviventes enfrentam agora um trauma renovado. Desconhecidos telefonam, enviam e-mails, ameaçam sua segurança física e as acusam de conspirar com Epstein quando, na realidade, são vítimas de Epstein”, afirma a ação judicial.

A legislação americana exige que registros relacionados ao caso sejam divulgados com a devida proteção das identidades das vítimas. No entanto, a ação argumenta que o Departamento de Justiça priorizou a publicação rápida e em grande volume dos arquivos, sem garantir a privacidade adequada dos dados pessoais.

O Departamento de Justiça disse anteriormente à emissora americana CNN que leva a proteção das vítimas “muito a sério” e destacou que milhares de nomes foram ocultados com a revisão de cerca de 500 profissionais. Segundo o órgão, aproximadamente 0,1% das páginas divulgadas apresentaram falhas na proteção da privacidade de mulheres.

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