O piloto indiano Smit Machchhar, que foi atacado com uma faca por seu copiloto durante um voo para Israel, revelou em uma declaração feita nesta sexta-feira, 2, que lutou para garantir a segurança dos passageiros, mesmo enquanto se recuperava de ferimentos graves. Ele enfatizou que “não poderia permitir que ninguém morresse” durante o incidente.
Essas informações foram compartilhadas em uma videochamada com o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, que conversou com Machchhar enquanto ele se recuperava no hospital.
“Eu estava muito machucado e caí. Lutei pela minha vida, e em um certo momento, percebi que, se não me levantasse, os passageiros estariam em perigo”, contou Machchhar. “Estava tentando salvar a minha própria vida, mas sabia que não podia deixar aquelas pessoas morrerem”, completou o piloto.
An unforgettable conversation with Captain Smit, filled with pride and emotions. pic.twitter.com/CCf46PKOWR
— Narendra Modi (@narendramodi) October 2, 2026
Modi elogiou as atitudes do piloto, afirmando que suas ações foram fundamentais para preservar centenas de vidas e evitar uma “grande tragédia”.
Contexto do incidente
Um voo da Flydubai, com partida de Dubai e destino a Israel e transportando 174 pessoas a bordo, precisou realizar um pouso de emergência na cidade saudita de Tabuk após um ataque em que o copiloto esfaqueou o comandante da aeronave. O ocorrido se deu na quarta-feira, dia 30, aproximadamente duas horas e meia após a decolagem.
Conforme informações da agência Reuters, Machchhar conseguiu destrancar a porta da cabine mesmo ferido gravemente e permitiu que os passageiros entrassem e contivessem o copiloto. Uma equipe reserva que também estava no voo ajudou a conduzir o avião até o pouso seguro na Arábia Saudita.
“Sofri tantos ferimentos que caí no chão. Senti que o avião estava perdendo controle. Sabia que era minha última chance, pois a porta estava logo ali”, relatou o piloto durante a conversa com Modi. “Continuava sendo atacado, mas consegui abrir a porta e todos entraram”, afirmou ele, ressaltando como seus 17 anos de experiência na aviação foram cruciais para agir sob pressão.
O voo FZ1073 estava sobrevoando a Jordânia quando alterou sua rota. Informações do site Flightradar24 indicam que inicialmente a aeronave enviou um sinal de emergência geral seguido por outro alerta indicando uma possível interferência ilícita no voo.
Dados de rastreamento revelam que o avião chegou a perder cerca de 14 mil pés (mais de 4 mil metros) de altitude em menos de trinta segundos antes de conseguir se estabilizar. Durante a confusão, passageiros relataram momentos intensos de pânico. Uma mulher presente no voo declarou ao canal israelense i24 que o avião estava “totalmente fora de controle”.
Investigação em andamento
Ainda não estão claras as circunstâncias do ataque. Testemunhas alegam que o copiloto atacou Machchhar, resultando em uma luta pelo controle da aeronave.
Os Emirados Árabes Unidos iniciaram uma investigação sobre o episódio. A agência estatal WAM informou que as apurações visam determinar se houve alguma relação com atividades terroristas ou planejamento prévio para o ataque. O país afirma ter jurisdição sobre o caso devido ao registro do avião nos Emirados e à sua operação sob bandeira emiradense.
O copiloto foi identificado por autoridades israelenses como cidadão de Omã, permanecendo sob investigação na Arábia Saudita, onde ocorreu o pouso emergencial no aeroporto de Tabuk. Até agora, as autoridades omanis não se manifestaram sobre o caso.
No dia 1º, o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu afirmou que o copiloto havia passado por “doutrinação islâmica radical” e apresentava sinais de tendências suicidas. Ele sugeriu ainda que havia indícios de intenções do copiloto em derrubar a aeronave. “As evidências da radicalização presentes em seu histórico são bastante significativas”, disse Netanyahu, ressaltando entretanto que ainda não há conclusões definitivas sobre os fatos ocorridos.
Netanyahu já havia reconhecido publicamente os esforços do piloto Machchhar e dos passageiros em evitar uma catástrofe durante o incidente.
