Na última sexta-feira, 16 de outubro, cerca de cem colonos israelenses mascarados perpetraram um ataque coordenado contra palestinos na aldeia de Abu Falah, localizada na Cisjordânia, durante a tradicional colheita de azeitonas.
Enquanto os moradores se reuniam em um pomar, o grupo, que carregava galões de combustível, incendiou as oliveiras e lançou pedras utilizando fundas, uma espécie de estilingue grande. O ataque resultou em pelo menos duas pessoas feridas, entre elas uma fotógrafa do jornal americano The Washington Post.
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Moutaz Abdelhadi, agricultor de 42 anos que presenciou o ocorrido em Abu Falah, relatou à Reuters: “Os colonos querem nos atacar e forçar nossa saída de nossas casas”.
Repórter ferida
<pConforme informações da Reuters, durante o ataque, ao menos dois jipes militares israelenses passaram rapidamente pela área. A agressão se manteve mesmo com a presença das forças armadas, que dispararam gás lacrimogêneo na direção dos palestinos que recuavam. Um fotógrafo da agência observou um colono usando uma arma de fogo.
As duas vítimas foram encaminhadas para hospitais na região de Ramallah. Uma delas é a americana Heidi Levine, fotojornalista do Washington Post. Em um vídeo do incidente, Levine aparece deitada em uma trilha de terra, com as mãos protegendo o rosto enquanto vários colonos a cercam.
A jornalista relatou do leito hospitalar: “Fui empurrada ao chão e atacada. Graças ao colete à prova de balas e ao capacete que estava usando, escapei com vida; caso contrário, eu provavelmente não estaria aqui agora, já que continuaram me chutando incessantemente.” Sua condição já é estável.
O ataque em Abu Falah seguiu-se a uma situação similar ocorrida na mesma manhã nas proximidades da vila Turmus Ayya, onde colonos atearam fogo em três veículos após agredirem um grupo de agricultores envolvidos na colheita das azeitonas.
Aumento da violência na Cisjordânia
A incidência de ataques por parte de colonos judeus na Cisjordânia ocupada tem se intensificado, com 170 incidentes documentados desde 27 de setembro, momento que coincide com o início da colheita anual de azeitonas. Esses dados são provenientes da Yesh Din, uma organização israelense dedicada ao monitoramento dos assentamentos israelenses considerados ilegais pela comunidade internacional. Israel contesta essa avaliação e considera o território como “disputado”, não “ocupado”.
A Cisjordânia abriga aproximadamente 500 mil colonos e mais de 3 milhões de palestinos. Durante o governo do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, que se aliou a partidos ultraortodoxos e de extrema direita, houve uma expansão acelerada dos assentamentos e postos avançados por toda a região.
Embora tenha criticado atos violentos em diversas ocasiões, Netanyahu não adotou medidas efetivas para conter esses incidentes que geraram condenação internacional e até mesmo sanções por parte de aliados tradicionais como o Reino Unido.
