Nesta quinta-feira, 24, a renomada revista britânica The Economist publicou um editorial que adverte o Brasil sobre o risco de “se afastar do futuro” ao se encaminhar para uma nova eleição presidencial envolvendo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e a família Bolsonaro. A publicação descreve o cenário do país como um avião “estacionado na pista”, caracterizando os dois principais candidatos como opções “desoladoras”.
A revista argumenta que “nenhum dos dois se mostra convincente” na abordagem dos dois maiores desafios enfrentados pelo Brasil: a corrupção profundamente enraizada e o aumento contínuo dos gastos públicos. Em sua análise, aponta que “o futuro promissor do Brasil ficará em suspenso por pelo menos mais quatro anos”.
O editorial inicia ressaltando as vastas riquezas naturais e a diversidade cultural do Brasil, fazendo referência à construção de Brasília nos anos 1950, cujo planejamento urbano foi inspirado na forma de um avião, simbolizando um país pronto para alçar voo.
“Entretanto, esse potencial permanece estagnado na pista. Ao longo das últimas cinco décadas, em vez de alcançar novos horizontes, a economia brasileira não avançou em comparação com seus pares e com o crescimento global médio. As eleições gerais marcadas para 4 de outubro parecem trazer pouca esperança para uma mudança significativa”, completa o editorial.
A metáfora da decolagem já havia sido utilizada anteriormente pela Economist para ilustrar a trajetória do Brasil. Em 2009, uma capa icônica mostrava o Cristo Redentor subindo como um foguete com a chamada “Brazil takes off” (“Brasil decola”). Contudo, quatro anos depois, durante um período de desaceleração econômica e manifestações em 2013, essa imagem foi revertida: o monumento aparecia em queda livre, acompanhada por uma reportagem que indagava se o país havia perdido sua chance de se tornar o “país do futuro”.
No novo editorial, reconhece-se a postura favorável de Lula em relação à proteção ambiental; no entanto, critica-se que ele “realizou muito pouco para fomentar o crescimento econômico ou conter os gastos públicos”, além de não ter conseguido implementar reformas econômicas significativas. A revista também observa a idade avançada do ex-presidente petista, que está prestes a completar 81 anos, fazendo uma comparação com Joe Biden, que tinha essa mesma idade quando decidiu não concorrer à reeleição nos Estados Unidos em 2024.
Por outro lado, Flávio Bolsonaro é alvo de críticas por suas declarações questionando a influência humana nas mudanças climáticas e a segurança das urnas eletrônicas. Segundo a publicação, ele também cogitou não reconhecer uma possível vitória de Lula. O editorial ainda menciona que uma de suas principais propostas inclui conceder perdão ao pai, Jair Bolsonaro, condenado em setembro de 2025 a 27 anos de prisão por seu envolvimento na tentativa de golpe de Estado.
Apesar do tom negativo da análise, a revista ressalta que o futuro do Brasil “não está completamente perdido”. O texto elogia instituições ainda consideradas funcionais no país, como a Polícia Federal — reconhecida pelas investigações relacionadas ao Banco Master e Daniel Vorcaro — além da imprensa descrita como “feroz e independente”, bem como da diplomacia brasileira, que goza de respeito no cenário internacional.
Na mesma data, 24 de outubro, The Economist já havia divulgado uma reportagem opinativa onde chamou Flávio Bolsonaro de “filho do nepotismo vingativo” e Lula foi rotulado como “esquerdista ultrapassado”.
