Meloni festeja longevidade no governo italiano e inicia preparação para 2027

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Giorgia Meloni, a primeira mulher a liderar o governo da Itália, comemorou nesta sexta-feira, 4, com uma celebração à beira do mar Adriático, seu marco histórico como a primeira-ministra mais duradoura desde o término da Segunda Guerra Mundial. Desde que assumiu o cargo em outubro de 2022, Meloni já se prepara para lançar sua candidatura nas eleições legislativas de 2027.

No X (ex-Twitter), ela expressou: “É uma conquista que acolho com gratidão e um forte senso de responsabilidade”. Representando o partido de extrema direita Irmãos da Itália, Meloni reconheceu a importância de sua permanência no cargo.

<p“Os resultados estão evidentes, mas estamos cientes do que ainda precisa ser realizado”, afirmou Meloni, enfatizando que a confiança depositada pelos cidadãos italianos não deve ser encarada como uma autorização irrestrita.

Um ícone de continuidade

Aos 49 anos, Meloni completa hoje 1.413 dias no comando do governo, superando Silvio Berlusconi em termos de tempo no cargo — embora ele tenha governado o país por quase uma década em quatro mandatos não consecutivos.

Para celebrar essa marca significativa, milhares de apoiadores se reunirão em Bari, na Apúlia, às margens do Adriático.

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O partido Irmãos da Itália produziu um documento de 30 páginas que destaca o que considera as principais realizações do governo nos últimos quatro anos. Entre os feitos destacados estão a queda do desemprego para 5,8%, conforme dados de julho — o menor índice registrado — e uma redução nos impostos para pessoas físicas totalizando 21 bilhões de euros (aproximadamente R$ 124 bilhões), além de uma diminuição de 80% na entrada de imigrantes irregulares.

<p“Este será um momento para olharmos nos olhos uns dos outros, avaliarmos o caminho percorrido e discutirmos nossas perspectivas futuras”, declarou Meloni.

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Entretanto, alguns especialistas criticam a forma como a estabilidade é exaltada como uma conquista em si mesma.

<p“A estabilidade é um meio e não um fim. O verdadeiro objetivo é o crescimento econômico, e isso ainda não foi alcançado”, afirmou Veronica De Santis, professora de Economia na Universidade Luiss, durante uma coletiva com jornalistas internacionais em Roma.

A economista também apontou a falta de um plano econômico sustentável no longo prazo. O governo prevê um crescimento modesto de apenas 0,6% este ano.

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Conforme dados da agência AGI, a aliança ultraconservadora no Parlamento — formada pelos Irmãos da Itália, Força Itália e Liga (partido anti-imigração liderado por Matteo Salvini) — aprovou cerca de 300 leis e decretos-leis utilizando frequentemente votos de confiança. Muitas dessas medidas focam na segurança ampla e visam imigração irregular, tráfico humano e ações contra pequenos delitos e manifestações que interrompem vias públicas para protestos contra demissões. Esses temas são centrais para mobilizar a base eleitoral da coalizão governante.

Desafios políticos

A Itália presenciou um total notável de 68 governos nos últimos oitenta anos. Diversos primeiros-ministros caíram em meio a crises políticas e deserções; no entanto, Meloni tem conseguido evitar esse ciclo desde que assumiu o poder.

A imprensa italiana analisou seu tempo à frente do governo. O La Repubblica, veículo conhecido por sua linha editorial centro-esquerda, ressaltou que sob sua liderança as contas públicas foram estabilizadas e os custos do endividamento diminuíram nos mercados financeiros.

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Por outro lado, tanto La Stampa quanto Corriere della Sera destacaram o apoio contínuo de Meloni à Ucrânia, mesmo diante das objeções do vice-primeiro-ministro Salvini sobre o envio de assistência militar ao país em conflito.

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No entanto, segundo Flavia Perina, colunista do La Stampa, Giorgia Meloni “terá que esclarecer suas intenções sobre como planeja utilizar os últimos meses antes das eleições”, previstas para abril de 2027.

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<pAlessandra Sardoni, jornalista política do canal La7, criticou “o pragmatismo” apresentado por Meloni como “um pretexto para permanecer inativa”.

<p“Este governo priorizou a comunicação em detrimento das ações concretas”, completou.

<p“Os salários aumentaram? Não. O preço dos combustíveis subiu; a insegurança aumentou; as aposentadorias se tornaram mais difíceis; e o sistema público de saúde está enfrentando dificuldades”, disse Maurizio Landini, líder da principal confederação sindical da Itália, CGIL.

(Com informações da AFP)

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