A Noruega possui um novo rei: Haakon VIII, de 53 anos, que tomou posse do trono após o falecimento de seu pai, Harald V, neste dia 28, aos 89 anos. O novo soberano assume a liderança em um momento que exige dele a capacidade de manter a confiança do povo norueguês na monarquia, diante de uma série de polêmicas envolvendo a família real.
Mesmo antes da morte de Harald, Haakon já vinha exercendo diversas funções reais. Com a saúde debilitada do pai e sua idade avançada, ele atuou como regente em várias ocasiões. Durante sua primeira reunião extraordinária como rei, Haakon oficializou seu título e adotou o lema de seu predecessor: “Tudo pela Noruega”.
Com essa nova fase no trono, a filha mais velha de Haakon, Ingrid Alexandra, agora com 22 anos, se tornou a nova princesa herdeira e ocupa o primeiro lugar na linha sucessória. Ela poderá ser a primeira mulher a governar o país desde o século XV.
Quem é Haakon
Nascido em 1973, Haakon é o filho mais novo de Harald V e da rainha Sonja. Durante sua infância, estudou em escolas públicas norueguesas e revelou ter enfrentado dificuldades para aceitar seu papel dentro da realeza.
Embora tenha um perfil mais reservado e menos carismático que seu pai — que gozava de grande popularidade entre os noruegueses —, Haakon vem mostrando uma postura mais descontraída nos últimos tempos.
Ele se tornou príncipe herdeiro aos 17 anos após o falecimento do avô, Olav V, em 1991. Apesar de sua irmã mais velha, Märtha Louise, ter nascido antes dele, Haakon assumiu a liderança na linha sucessória devido à reforma constitucional de 1990 que estabeleceu igualdade entre os gêneros na sucessão ao trono, mas não foi aplicada retroativamente.
Sua trajetória acadêmica divergiu um pouco dos padrões tradicionais da realeza. Após quatro anos na carreira naval, formou-se pela Academia Naval Real da Noruega em 1995. Depois disso, cursou ciência política na Universidade da Califórnia em Berkeley e obteve um mestrado em estudos de desenvolvimento na London School of Economics no Reino Unido, com foco em comércio internacional e questões africanas.
Fora das obrigações oficiais, o príncipe cultivou hobbies pouco convencionais para alguém da realeza. Ele pratica surfe e esqui, aprecia rock e rap e costumava participar de festivais musicais durante sua juventude.
Escândalos
A família real norueguesa tem enfrentado diversos escândalos nos últimos tempos, sendo dois deles relacionados à esposa de Haakon, Mette-Marit.
A imagem da nova rainha foi abalada quando se descobriu que ela manteve uma amizade com o infame criminoso sexual Jeffrey Epstein. Entre 2011 e 2014, Mette-Marit teve contatos frequentes com Epstein mesmo após ele ter sido condenado por crimes relacionados à prostituição infantil. Ela se desculpou publicamente à família real pela amizade e afirmou ter rompido relações com Epstein em 2019.
Além disso, Mette-Marit enfrenta problemas sérios de saúde devido a uma doença pulmonar incurável que resultou em um transplante de pulmão realizado em junho. Sua situação se agrava ainda mais pelos problemas legais envolvendo seu filho Marius Borg Høiby, nascido em 2001 durante um relacionamento anterior ao casamento com Haakon.
Aos 29 anos, Marius foi condenado em junho a quatro anos de prisão por dois estupros — um deles ocorrido em 2018 na residência oficial onde vive com sua mãe e o príncipe herdeiro — além de outros 32 crimes. Ele recorreu da condenação e aguarda novo julgamento cumprindo pena domiciliar com monitoramento eletrônico.
Morte do rei
No dia 28 de agosto , o rei Harald V , conhecido por ser o monarca europeu mais idoso, faleceu aos 89 anos conforme comunicado do Palácio Real.
“É com profunda tristeza que informamos que Sua Majestade, o rei Harald, nos deixou hoje. O falecimento ocorreu pacificamente no hospital nacional (Rikshospitalet) nesta sexta-feira às 6h35 (1h35 no horário de Brasília)”, diz trecho do comunicado emitido pelo palácio.
O rei Harald V lutava contra anemia hemolítica — uma condição que provoca redução acelerada dos glóbulos vermelhos — e apesar dos recorrentes problemas de saúde nos últimos anos optou por não abdicar do cargo alegando seu compromisso vitalício diante do Parlamento.
Ainda no dia anterior ao falecimento do monarca, muitos cidadãos prestaram homenagens depositando flores diante do Palácio Real após serem informados sobre seu estado crítico.
Pela morte do rei, as bandeiras foram hasteadas a meio-mastro no palácio. O primeiro-ministro Jonas Gahr Store expressou sua “profunda tristeza” pela perda.
