A polícia húngara anunciou, nesta sexta-feira, 29, que a marcha do Orgulho LGBTQIA+ em Budapeste, agendada para o dia 27 de junho, poderá ocorrer. Essa decisão representa uma mudança significativa em relação ao ano passado, quando o evento foi vetado pelo governo do ex-primeiro-ministro nacionalista Viktor Orbán.
Após avaliar a notificação formal apresentada pelos organizadores do evento, as autoridades húngaras declararam não haver justificativas legais para impedir a realização da marcha. Segundo um comunicado enviado à agência de notícias AFP, a polícia também tomou providências para limitar três contramanifestações programadas para o mesmo período.
A liberação da marcha ocorre em um contexto político alterado após a derrota eleitoral de Orbán, que governou a Hungria durante 16 anos e se destacou internacionalmente por suas políticas antiliberais, que se opõem à imigração e aos direitos da comunidade LGBTQIA+. O novo primeiro-ministro, Péter Magyar, assumiu em maio prometendo uma “nova era” e um governo inclusivo.
<spanApesar disso, até o momento Magyar não expressou apoio explícito à marcha do Orgulho nem revogou as legislações implementadas durante o governo anterior que restringem os direitos da população LGBTQIA+.
A edição de 2025 da marcha havia sido oficialmente proibida devido a mudanças na legislação de 2021, introduzidas pelo governo Orbán sob a justificativa de “proteção da infância”. Além disso, havia a autorização para utilização de câmeras de reconhecimento facial com o intuito de identificar manifestantes que desrespeitassem a proibição, sujeitando-os a multas que poderiam chegar a 200 mil florins húngaros (aproximadamente R$ 3.120).
As legislações criadas durante o governo Orbán também contribuíram para estigmatizar e marginalizar pessoas transgênero e não heterossexuais, associando-as injustamente a crimes como pedofilia.
No entanto, em 2025, um número recorde superior a 200 mil pessoas compareceu à marcha do Orgulho LGBTQIA+, segundo informações dos organizadores. Este evento foi interpretado como uma forte manifestação contra as políticas restritivas implementadas nos últimos anos.
No mês passado, o Tribunal de Justiça da União Europeia decidiu que as legislações utilizadas para justificar a proibição da marcha eram incompatíveis com as normas do bloco europeu.
