Nesta sexta-feira, 29, o governo chinês se pronunciou sobre a recente decisão dos Estados Unidos de rotular as facções criminosas brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como grupos terroristas, uma medida que foi anunciada um dia antes.
Mao Ning, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, afirmou que Pequim sempre defendeu a não intervenção em questões internas de outros países. Essa declaração ocorre horas antes da visita do ministro brasileiro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, à China, agendada para o próximo domingo, dia 31.
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A decisão contrasta com a posição oficial do Brasil, que expressa preocupação com possíveis ingerências por parte dos Estados Unidos, temendo que essa ação possa servir como justificativa para uma invasão militar, algo que já ocorreu em outras nações. Um exemplo é a captura do líder venezuelano Nicolás Maduro e os bombardeios realizados pelas Forças Armadas dos EUA no Mar do Caribe.
Recentemente, em uma entrevista, o presidente Lula enfatizou que cabe às forças brasileiras lidar com o combate às facções. “Aprovamos agora a lei antifacção, que nos permitirá agir de forma mais eficaz para desmantelar essas organizações. Essa é uma guerra nossa e não dos Estados Unidos”, declarou ele durante uma conversa com os portais Brasil 247, Revista Fórum e DCM, transmitida pelos canais oficiais do governo.
Conforme informações do Departamento de Estado dos EUA, “CV e PCC estão entre as organizações criminosas mais violentas do Brasil. Juntas, elas possuem milhares de membros e têm realizado ataques brutais contra policiais, servidores públicos e civis brasileiros. Sua influência e atividades ilícitas vão muito além das fronteiras nacionais”.
Em suas redes sociais, o secretário de Estado americano Marco Rubio declarou que o governo Trump “continuará utilizando todos os recursos disponíveis para proteger nossos interesses de segurança nacional e impedir o financiamento e apoio a narcoterroristas”.
A categorização de organizações criminosas estrangeiras como grupos terroristas pela administração americana não é algo recente. Em fevereiro do ano anterior, cartéis mexicanos (como Sinaloa, Jalisco Nueva Generación e Noreste) e a organização venezuelana Tren de Aragua foram também classificadas como terroristas.
