Após ser considerada por muito tempo um local arriscado para investimentos, a Venezuela atrai novamente o interesse de grandes companhias petrolíferas dos Estados Unidos, que estão analisando novas possibilidades de investimento no país, conforme reportou o jornal The Wall Street Journal na última sexta-feira, 30.
Recentemente, engenheiros, advogados e representantes do setor petrolífero americano estiveram em Caracas, onde se reuniram no hotel JW Marriott com a presidente interina, Delcy Rodríguez. Durante esses encontros, ela tem enfatizado a disposição para estabelecer parcerias internacionais e o desejo de seu governo em aumentar a produção de combustíveis fósseis.
“Muitos americanos se reuniram com diversos venezuelanos. Ambas as partes estão colaborando de forma construtiva, compartilhando a meta de melhorar as operações e expandir a produção”, declarou Jon Hughes, CEO da Petrie Partners, um banco de investimento em energia que esteve no hotel movimentado na semana anterior ao jornal WSJ.
Empresas como ExxonMobil e ConocoPhillips já enviaram equipes ao país para avaliar ativos e projetos. Contudo, até o momento, não há acordos formais de investimento estabelecidos.
A expectativa é que mais visitantes cheguem em breve: na quinta-feira passada, a American Airlines anunciou a retomada do primeiro voo comercial direto entre Miami e Caracas após sete anos.
Aproximação estratégica
Essa mudança de abordagem acontece em um contexto de aumento nos preços do petróleo no mercado global, influenciado pelo fechamento do Estreito de Ormuz, rota marítima que anteriormente representava 20% do petróleo consumido mundialmente antes do início das hostilidades no Oriente Médio.
A partir da captura de Nicolás Maduro, em janeiro, o presidente americano, Donald Trump, tem firmado acordos com Delcy voltados para os setores energético e mineral, alterando o modelo estatizante implementado pelo falecido Hugo Chávez. Ela adaptou as políticas do governo aos interesses da administração americana ao reformular a legislação sobre hidrocarbonetos, permitindo maior entrada de capital privado. Em fevereiro, foram anunciados acordos entre a estatal PDVSA da Venezuela e a britânica Shell, os primeiros sob as novas regulamentações.
No início de março, houve um acordo entre a Casa Branca e o governo venezuelano para restabelecer relações diplomáticas e consulares. Essa decisão ocorreu após a visita em menos de um mês de dois membros do gabinete Trump: o secretário do Interior, Doug Burgum, e o secretário de Energia, Chris Wright. A chancelaria venezuelana declarou estar apostando em “uma nova etapa” nas relações bilaterais “fundamentadas no respeito mútuo”.
