O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur) declarou nesta sexta-feira, 6, que a atual crise no Oriente Médio, desencadeada por ataques americanos e israelenses ao Irã no último sábado, representa uma “grande emergência humanitária” e exige uma resposta imediata da comunidade internacional.
“O Acnur declarou a escalada da crise no Oriente Médio como uma grande emergência humanitária que exige uma resposta imediata em toda a região”, disse o diretor de emergências do Acnur e coordenador inter-regional para refugiados, Ayaki Ito, a jornalistas em Genebra.
Segundo a agência das Nações Unidas, a escalada do conflito tem provocado deslocamentos em massa, com milhares de pessoas deixando suas casas em diferentes países da região. No total, mais de 210 mil pessoas foram forçadas a deixar suas casas na região em meio ao conflito, sendo a maioria deslocada dentro dos próprios países.
No Irã, que já abriga cerca de 1,65 milhão de refugiados — principalmente do Afeganistão — estima-se que cerca de 100 mil pessoas deixaram a capital nos dois primeiros dias após os ataques israelenses e americanos. Até agora, no entanto, não houve um aumento significativo de deslocamentos para outros países.
No Líbano, mais de 84 mil pessoas estão em cerca de 400 abrigos coletivos, segundo informações do governo. Além disso, mais de 30 mil pessoas cruzaram a fronteira para a Síria desde o início da escalada.
De acordo com o Acnur, além da guerra no Oriente Médio, confrontos na fronteira entre Afeganistão e Paquistão também forçaram milhares de famílias a deixar suas casas.
A agência da ONU informou que está trabalhando para ampliar o envio de ajuda humanitária aos países afetados em toda a região. Ito ressaltou ainda que é essencial garantir que civis possam se deslocar ou cruzar fronteiras com segurança.
Após a ofensiva iniciada por Estados Unidos e Israel contra o Irã no sábado, que matou o líder supremo Ali Khamenei, Teerã respondeu atacando os países do Golfo, com ações diárias contra as bases militares e os interesses de Washington na região.
Embora Teerã afirme estar atacando apenas alvos americanos no Oriente Médio, seus drones e mísseis atingiram alvos civis e infraestrutura em múltiplos incidentes na última semana, como aeroportos em Abu Dhabi e no Kuwait, arranha-céus em Dubai e no Bahrein, bem como portos marítimos, minando a aparência de segurança que as monarquias do Golfo se esforçaram para manter.
