Na última sexta-feira, 26, o Irã reafirmou seu direito sobre a supervisão da navegação no Estreito de Ormuz, alertando as nações do Golfo para não se unirem aos Estados Unidos. Essa declaração intensifica as tensões em torno dessa rota marítima crucial, pela qual transita cerca de 20% do petróleo e gás consumidos globalmente.
Em comunicado oficial, o Ministério das Relações Exteriores iraniano qualificou como “intervencionista, irresponsável e provocativa” uma declaração emitida em conjunto pelos Estados Unidos e pelos seis membros do Conselho de Cooperação do Golfo (CCG). Essa declaração rechaçou a intenção do Irã de implementar taxas sobre os navios que passam pelo estreito.
A advertência aconteceu um dia após um ataque a um navio nas proximidades de Omã, evidenciando a vulnerabilidade do entendimento preliminar firmado entre Teerã e Washington para pôr fim à guerra iniciada em 28 de fevereiro.
A Autoridade do Estreito do Golfo Pérsico, entidade recém-estabelecida pelo Irã para supervisionar o Estreito de Ormuz, declarou na quinta-feira, 25, que embarcações que navegarem fora das rotas designadas não terão garantias de segurança durante a passagem.
A organização alertou no X (ex-Twitter): “As consequências da navegação por rotas não autorizadas serão responsabilidade do proprietário, operador e comandante da embarcação”.
Controvérsia sobre tarifas
No cenário internacional, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou na quarta-feira passada que o Irã assegurou ao governo americano que não ocorrerão cobranças de pedágio ou taxas para a travessia de navios comerciais pelo Estreito de Ormuz.
Trump afirmou em suas redes sociais: “O Irã informou aos Estados Unidos que, apesar das notícias falsas e provocativas que afirmam o contrário, ‘NÃO HÁ PEDÁGIOS, CUSTOS DE SEGURO OU QUAISQUER OUTRAS TAXAS SENDO EXIGIDOS OU RECEBIDOS PELO IRÃ DE NAVIOS QUE NAVEGAM PELO ESTREITO DE HORMUZ’”. Ele ainda adicionou: “Se essa informação for falsa, as negociações terminarão imediatamente!”.
Ainda em meio às discussões, os dois países concluíram uma rodada inicial de negociações na Suíça na última segunda-feira sem avanços significativos. Eles têm apresentado narrativas conflitantes sobre os incentivos financeiros ao Irã, o controle do Estreito de Ormuz e as operações paralelas de Israel no Líbano — questões centrais no memorando assinado recentemente com vistas a encerrar o conflito.
A respeito das taxas no Estreito de Ormuz, o entendimento assinado na semana anterior indica que o regime iraniano se comprometeu a não exigir pagamentos de quaisquer embarcações durante um período de 60 dias destinado às negociações iniciado na segunda-feira. Contudo, permanece incerto o que ocorrerá após esse prazo.
