No dia 21 de setembro, na cidade de Rwampara, localizada no nordeste da República Democrática do Congo, um grupo de manifestantes invadiu um hospital e ateou fogo em tendas médicas. Testemunhas relataram à agência Reuters que a revolta foi desencadeada pela negativa das autoridades em devolver o corpo de uma vítima de Ebola, que os manifestantes desejavam enterrar por conta própria.
A multidão incendiou duas tendas, que possuíam um total de oito camas e eram operadas pela organização humanitária ALIMA. A situação só começou a ser controlada quando reforços do exército e da polícia chegaram ao local. Para dispersar os manifestantes, as forças policiais recorreram a tiros de advertência e gás lacrimogêneo.
As tendas foram consumidas pelas chamas, assim como o corpo que deveria ser enterrado naquele dia. Seis pacientes que estavam recebendo tratamento no local precisaram ser transferidos para outro hospital devido à confusão.
Os manifestantes exigiam o corpo de Eli Munongo Wangu, um jogador de futebol bastante conhecido na região, que atuava em vários times locais. Os pais do jovem alegaram que ele não havia morrido devido ao Ebola, mas sim por febre tifóide.
Entretanto, os médicos afirmaram que Eli estava realmente infectado com o vírus e ressaltaram a importância de sepultamentos seguros para evitar a propagação da doença, uma vez que o Ebola pode ser transmitido através do contato direto com os cadáveres das vítimas. Após os protestos, as autoridades procederam com o enterro do jovem durante a madrugada desta sexta-feira, 22.
Surto de Ebola
A desordem ocorreu em um momento crítico, quando as autoridades estão enfrentando dificuldades para conter o mais recente surto de Ebola na região leste do Congo. A Organização Mundial da Saúde (OMS) informou sobre 600 casos suspeitos e 139 mortes ligadas ao vírus, incluindo alguns casos registrados também em Uganda. O hospital invadido na quinta-feira está situado próximo a Bunia, na província de Ituri, a área mais afetada pela epidemia.
Um político local foi citado pela imprensa britânica afirmando que muitos habitantes da região não acreditam na existência do Ebola, considerando-a uma invenção criada por estrangeiros e organizações humanitárias para obter recursos financeiros e apoio.
