A cobertura da reunião entre Lula e Trump pela mídia dos Estados Unidos

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Na quinta-feira, 7, a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à Casa Branca foi o foco principal do noticiário brasileiro. Contudo, o encontro com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, após uma série de desavenças entre os dois países, também atraiu a atenção da mídia norte-americana. A imprensa americana destacou a fase de complexidade nas relações bilaterais e a influência de Trump em Brasília, relacionada às manobras do clã Bolsonaro. No geral, as publicações consideraram que as mais de três horas de conversas resultaram em um “resfriamento das tensões”.

O periódico The Wall Street Journal mencionou que “os líderes tentaram restaurar laços desgastados” e que “o encontro aliviou as tensões após mais de um ano de crise diplomática”, recordando as tarifas impostas ao Brasil e as sanções a ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), como Alexandre de Morais, em resposta ao que a Casa Branca descreveu como uma perseguição política contra Jair Bolsonaro e outros conservadores.

A reportagem do WSJ também observou que autoridades brasileiras e americanas acreditavam que a afinidade pessoal entre Lula e Trump — junto com a abordagem transacional do presidente dos EUA em relação à política externa — poderia superar o embate ideológico que levou as relações entre os dois países ao seu ponto mais crítico em décadas.

Cabe destacar que Lula se prepara para eleições no final deste ano. Segundo a análise da publicação, ele busca um equilíbrio delicado: deseja negociar com Trump para melhorar os laços e evitar possíveis interferências em favor de Flávio Bolsonaro durante o pleito, mas não quer parecer submisso ao presidente americano, especialmente diante da ala mais radical do Partido Trabalhista (PT), que enxerga os Estados Unidos como uma ameaça.

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O WSJ ainda apontou que a falta de fluência em inglês por parte de Lula pode contribuir para “amenizar parte da tensão”, pois isso “reduz o ritmo das conversas e proporciona uma proteção contra trocas improvisadas que tumultuaram reuniões anteriores no Salão Oval”, fazendo referência à visita tumultuada do presidente ucraniano Volodymyr Zelensky no ano anterior.

Por outro lado, o jornal The New York Times caracterizou o encontro como “um momento de trégua frágil após um ano repleto de tarifas americanas e ofensas públicas entre os líderes das principais nações do Hemisfério Ocidental”, contextualizando-o dentro de um processo de “détente diplomática” — termo francês utilizado para designar a redução das tensões entre países antes hostis.

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<pDurante uma entrevista ao NYT, Bruna Santos, diretora do programa Brasil no think tank Inter-American Dialogue, baseado em Washington, descreveu a situação como uma “turbulência controlada”. Ela afirmou: “Todos reconhecem que nem sempre concordam plenamente, mas precisam um do outro”.

No tocante aos minerais críticos, o jornal destacou que os Estados Unidos têm pressionado o Brasil para firmar um acordo visando extrair milhões de toneladas desses elementos essenciais para impulsionar economias futuras. No entanto, Lula tem mostrado resistência nessa questão, priorizando o controle sobre recursos nacionais e a possibilidade de comercializá-los com outros países.

Ricardo Zúniga, ex-alto funcionário para assuntos latino-americanos durante o governo Barack Obama, comentou ao NYT: “Os Estados Unidos enxergam o Brasil como o único país capaz de interromper partes da nossa economia dominadas pela China; além disso, é uma das poucas alternativas para romper com o monopólio chinês sobre terras raras.”

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A emissora CNN destacou o clima “positivo” das discussões (mencionando a “química” descrita por ambos os líderes). No entanto, chamou atenção para o fato de que a reunião ocorreu atrás de portas fechadas, apesar da expectativa inicial de que seria aberta à imprensa.

Uma fonte próxima ao assunto revelou à CNN que a delegação brasileira solicitou um encontro fechado para evitar eventuais perguntas sobre críticas anteriores feitas por Lula a Trump, que poderiam gerar um ambiente negativo.

John Roberts, correspondente da Casa Branca pela Fox News, comentou sobre as restrições à cobertura jornalística, afirmando que se tornou motivo de piada proibição da imprensa. Porém, justificou essa decisão pelo histórico conturbado da relação entre Lula e Trump.

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