Apoiados pelo Irã, rebeldes hutis tomam ilha estratégica em rota vital de transporte de petróleo

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Rebeldes hutis do Iêmen tomaram, nesta sexta-feira, 11, a ilha de Perim, no estratégico Estreito de Bab el-Mandeb, e passaram a controlar a passagem. O grupo, no entanto, prometeu respeitar a “livre navegação”, exceto para navios da Arábia Saudita, na via que dá acesso ao Mar Vermelho a partir do Oceano Índico.

O controle da ilha é parte da ofensiva lançada na semana passada pelo grupo rebelde – financiado pelo Irã e que domina amplas regiões do Iêmen – para controlar a rota marítima crucial que liga a Ásia e a Europa.

“Os navios que transportavam os combatentes houthis chegaram à ilha de Perim, depois que as forças do governo se retiraram ontem”, quinta-feira, informou um funcionário do governo reconhecido pela comunidade internacional e apoiado pela Arábia Saudita à agência de notícias AFP. “Os hutis concluíram a tomada da área de Bab el-Mandeb e da ilha de Perim, situada no centro do estreito”.

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Na quinta-feira 10, os hutis já haviam tomado o porto da cidade iemenita de Mocha em uma tentativa de obter o controle total da costa do Mar Vermelho. Além dele, os hutis também reivindicam o controle da cidade de Hays, que faz uma interseção entre três províncias no Iêmen, e do acampamento Khalid ibn al-Walid, a maior base militar da região.

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Bab el-Mandeb

O Estreito de Bab el-Mandeb ganhou ainda mais importância desde o início da guerra no Oriente Médio, em fevereiro, com os ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã e as represálias iranianas contra as monarquias do Golfo. Esse estreito, por onde passa cerca de 8% do petróleo consumido no planeta, liga a Ásia à Europa pelo Mar Vermelho e pelo Canal de Suez.

Um integrante do gabinete político dos hutis tentou, no entanto, acalmar temores globais.

“A liberdade de navegação e o comércio internacional no Mar Vermelho e em Bab el-Mandeb são seguros e organizados”, disse Hazem al Assad à agência de notícias Al Araby al Jadeed.

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A tomada da costa oeste do Iêmen e de algumas ilhas no mar pelo grupo rebelde seria um grande desafio para a Arábia Saudita e para os Estados Unidos, já que aproximaria o Irã e seus aliados do controle total sobre vias essenciais para o transporte marítimo ocidental naquele lado do mundo.

A passagem de Bab el-Mandeb ganhou importância redobrada desde o início da guerra no Oriente Médio, devido ao bloqueio do Estreito de Ormuz por parte do Irã, no outro lado da Península Arábica. A rota marítima respondia por 20% das exportações mundiais de petróleo e gás natural antes da guerra.

Ao assumir o controle de mais partes da costa do Mar Vermelho, o objetivo dos hutis é encontrar mais um jeito de pressionar a Arábia Saudita e os americanos a concordarem com um pacto que suspenda o bloqueio aos petroleiros iranianos no Golfo — medida adotada por Washington em contrapartida ao fechamento do Estreito de Ormuz.

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Analistas acreditam que a redução das tensões neste momento parece pouco provável, com os hutis tentando abrir uma segunda frente na guerra entre Irã e Estados Unidos, além da batalha já longa — desde fevereiro deste ano — pelo controle de Ormuz.

Tensão entre hutis e Arábia Saudita

As hostilidades começaram em julho, quando os hutis desafiaram o controle de Riad sobre o espaço aéreo iemenita ao permitir que um avião iraniano pousasse no Iêmen. O governo do país, reconhecido pela comunidade internacional, respondeu com um ataque ao aeroporto.

A fase mais recente da escalada veio na semana passada, quando os hutis atacaram instalações de energia e cidades do sul da Arábia Saudita usando drones e mísseis balísticos, após o colapso, em julho, do cessar-fogo firmado em 2022, em meio à crescente instabilidade regional.

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Em resposta, as forças militares do reino lançaram pelo menos 40 ataques na última quarta-feira 9. “Aviões sauditas executaram 32 ataques aéreos contra diversas áreas das províncias de Marib, Al Jawf, Taiz e Hodeida nas últimas horas”, informou o canal de televisão rebelde Almasirah. Algumas horas depois, a emissora relatou uma dezena de bombardeios adicionais.

Os combates já deixaram mais de 500 mortos no Iêmen, segundo um balanço da agência de notícias AFP. O número inclui pelo menos 216 soldados do governo e 278 combatentes hutis, além de 29 civis.

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