Banco Mundial destina R$ 1 bilhão em apoio à Colômbia após os estragos causados por terremoto

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Nesta sexta-feira, 14, o Banco Mundial divulgou a liberação de US$ 200 milhões (mais de R$ 1 bilhão) para auxiliar nas ações de socorro após o devastador terremoto que atingiu a Colômbia, resultando na morte de mais de 280 pessoas esta semana.

Além do apoio financeiro, o banco anunciou que começou uma “Avaliação Global Rápida de Danos por Terremotos” (GRADE, pela sigla em inglês), com o objetivo de oferecer ao governo uma estimativa preliminar das perdas econômicas e facilitar a priorização das medidas de assistência e recuperação.

De acordo com os dados mais recentes, pelo menos 281 pessoas perderam suas vidas devido ao tremor de magnitude 7,4 ocorrido na segunda-feira, dia 10, considerado o mais intenso registrado na região neste século. O número de feridos ultrapassa 3.900, enquanto ao menos 379 indivíduos ainda estão desaparecidos, soterrados sob escombros e destroços. O sismo destruiu mais de 10 mil residências, deixando muitas famílias desabrigadas.

A busca por sobreviventes

A partir desta sexta-feira, as autoridades da Colômbia intensificaram as operações de resgate. Equipamentos pesados foram mobilizados para remover os escombros em áreas onde já não se espera encontrar sobreviventes. Voluntários e socorristas têm se empenhado em escavações manuais. Entretanto, especialistas alertam que as possibilidades de localizar pessoas vivas diminuem a cada hora após a janela crítica de 72 horas desde a tragédia. O odor da decomposição já é perceptível nas áreas mais afetadas.

“A chance de encontrarmos sobreviventes está se esgotando”, admitiu David Tamayo, diretor da Unidade Nacional para a Gestão do Risco de Desastres (UNGRD). “No entanto, nosso lema é continuar as buscas e não descansar até que possamos informar que encontramos essas pessoas — esperamos que vivas — ou recuperar seus corpos”, acrescentou ele em um vídeo divulgado na noite anterior.

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Ainda assim, os tremores secundários e os danos estruturais complicam ainda mais as operações de resgate.

A vida destruída

No município de Cali, um dos locais onde os edifícios foram mais danificados, parques e ruas se transformaram em acampamentos improvisados. María del Carmen Rodríguez, uma mulher de 72 anos, perdeu seu apartamento — pelo qual trabalhou durante toda a vida — e agora passa as noites quentes ao lado do marido, que tem 76 anos, em uma quadra esportiva.

“Estamos nos perguntando sobre a ajuda que teremos direito e se seremos realocados para outro lugar, pois isso pode levar muito tempo”, declarou ela à agência AFP.

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Os efeitos do terremoto também repercutiram nos cemitérios. Em uma localidade próxima a Cali, alguns mortos foram encontrados fora dos seus túmulos.

A região cafeeira também foi severamente impactada. Na cidade de Pereira, Javier Alzate estava recuperando os poucos pertences que sobraram em sua casa com o auxílio de outras pessoas. “Não há alternativa; é necessário retirar tudo daqui porque se chover, perderemos tudo”, afirmou o psicólogo de 79 anos à AFP.

A solidariedade da população tem amenizado as difíceis jornadas dos trabalhos de resgate e ajudado a suprir necessidades básicas. Muitas pessoas têm chegado aos bairros atingidos trazendo água, alimentos e medicamentos. Além disso, oferecem apoio emocional através de abraços durante esse momento difícil.

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“Estamos enfrentando um trauma coletivo e acredito que minha melhor contribuição seria oferecer minha energia e vitalidade”, comentou Andrés Solomón, um músico local de 46 anos que segurava uma faixa dizendo: “Abraços aqui”.

Cobranças ao governo

O presidente Abelardo de la Espriella, que assumiu o cargo três dias antes do terremoto, decretou estado de “emergência econômica”, permitindo ajustes fiscais e orçamentários. Ele também anunciou um fundo com suporte internacional para ajudar as vítimas e convocou o setor privado a colaborar nas ações emergenciais.

O epicentro do terremoto foi localizado perto de San José del Palmar, em Chocó — uma das regiões mais carentes do país. A fase inicial das buscas já foi concluída nessas áreas; no entanto, são necessárias intervenções urgentes para atender os afetados. As autoridades solicitaram às guerrilhas locais que permitam acesso humanitário para entrega de alimentos e medicamentos.

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No que diz respeito à resposta à emergência, o presidente tem sido criticado por estreitar laços com Israel durante essa crise e por supostamente recusar ajuda humanitária oferecida por governos fora da sua linha política. A Colômbia aceitou apenas equipes enviadas pelos governos aliados ideologicamente — como os Estados Unidos, El Salvador, Equador e Israel — mas o chanceler Omar Bula afirmou que essa decisão não teve “nenhuma consideração política”.

A presidente do México, Claudia Sheinbaum, mencionou que a Colômbia havia recusado o envio dos socorristas militares mexicanos devido à falta da certificação necessária.

“Eles possuem certificação válida; no entanto, agora exigem outro tipo”, relatou ela.

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