Espanha pressiona Itália a eliminar barreiras nas fronteiras após tumulto em Ceuta

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Na última sexta-feira, 7 de julho, o governo espanhol emitiu um ultimato à Itália, exigindo a revogação dos controles de fronteira que foram impostos aos viajantes provenientes da Espanha. Essa medida italiana foi uma resposta à crise migratória que resultou na entrada de 72 mil africanos do Marrocos no enclave espanhol de Ceuta, localizado no Norte da África.

A gestão do primeiro-ministro Pedro Sánchez classificou a postura italiana como “injusta, contrária aos interesses da União Europeia e discriminatória para com os espanhóis”, estabelecendo um prazo até domingo, 9, para Roma reverter essa decisão.

Caso os controles permaneçam, o governo de Sánchez advertiu que tomará “medidas proporcionais” para proteger os direitos dos cidadãos espanhóis, embora não tenha fornecido detalhes adicionais sobre as possíveis ações.

Troca de acusações

No comunicado emitido nesta sexta-feira, a administração espanhola afirmou que a decisão da Itália, anunciada em 1º de agosto, se baseia em “argumentos infundados, incompatíveis com o Código de Fronteiras Schengen e com a realidade dos fatos”.

A justificativa apresentada pela Itália para reintroduzir temporariamente os controles foi a chegada massiva de migrantes a Ceuta. Contudo, vale ressaltar que essas inspeções impactam principalmente o tráfego aéreo e marítimo entre os dois países.

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O governo espanhol destacou que nenhum dos imigrantes que cruzaram irregularmente para o enclave norte-africano na semana anterior obteve autorização para entrar no continente europeu, dado o status especial da cidade autônoma. Além disso, ressaltou que a maioria dos estrangeiros já retornou ao Marrocos e rejeitou a ideia de que essa situação represente qualquer risco para os demais países da União Europeia.

A Espanha também apontou que dados da Frontex indicam que a Itália tem registrado nos últimos anos um número elevado de travessias irregulares nas fronteiras externas do bloco — em alguns períodos, as cifras italianas chegaram a ser o dobro das espanholas. O governo de Sánchez ainda recordou sua solidariedade ao acolher parte dos migrantes desembarcados em Lampedusa em 2023.

A administração expressou confiança em que “o compromisso com o projeto europeu, junto ao bom senso e à boa-fé” prevalecerão e acusou o governo italiano de promover “divisões e conflitos desnecessários motivados por interesses eleitorais internos”.

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Crise de Ceuta

Entre os dias 30 e 31 de julho, mais de 72 mil migrantes — predominantemente jovens marroquinos — cruzaram a fronteira entre o Marrocos e a Espanha em Ceuta. Este território é uma herança colonial e, juntamente com Melilla, forma as únicas fronteiras terrestres entre África e Europa. Atualmente consideradas cidades autônomas espanholas, frequentemente enfrentam ondas de tentativas de travessia irregular.

Imagens capturadas pela agência Atlas News mostraram uma grande quantidade de jovens realizando a travessia por diversos meios: nadando, usando boias ou sendo resgatados por embarcações. Alguns deles foram vistos gritando “Viva a Espanha” após chegarem ao território enquanto agentes da Guarda Civil distribuíam água e ajudavam os recém-chegados. O total de pessoas que efetuaram essa travessia corresponde a cerca de 70% da população local, estimada em aproximadamente 84 mil habitantes dentro do pequeno território de 18,5 km².

A situação agravou uma crise migratória já crescente neste mês. Antes do grande influxo mencionado, mais de 1.500 migrantes já haviam chegado a Ceuta na semana anterior, conforme informações das autoridades locais. O centro de acolhimento da cidade opera acima da capacidade máxima; no dia 29 de julho, mais de 400 pessoas aguardavam por vagas disponíveis.

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O Ministério do Interior espanhol declarou que organizações criminosas teriam explorado uma recente decisão do Supremo Tribunal para incitar tentativas de entrada no país. A referida sentença estipulou que indivíduos que chegam ao território marítimo irregularmente não podem ser deportados imediatamente para outro Estado.

Diante dessa crise emergente, o governo espanhol enviou forças armadas para auxiliar as operações da Guarda Civil e reforçou o efetivo policial encarregado da segurança em Ceuta. As autoridades também afirmaram ter concordado com Rabat sobre medidas para devolver “o mais rápido possível” todas as pessoas que entraram ilegalmente em Ceuta ao Marrocos.

Esse episódio também alimentou o crescimento da extrema direita na Europa nos últimos anos sob uma bandeira anti-imigração — movimento este que deixou de ser exclusivo dos radicais para ser adotado por conservadores e até partidos moderados frente à insatisfação popular com os imigrantes recém-chegados.

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