A transferência de milhares de migrantes que vivem em acampamentos improvisados nas praias de Ceuta, cidade autônoma espanhola no norte da África, para um alojamento temporário montado no porto provocou tumultos e confrontos com a polícia na quinta-feira, 17.
A operação buscava retirar mais de 4 mil migrantes das áreas litorâneas de Trampolín e Benítez e levá-los para o novo centro de acolhimento temporário. O espaço, porém, tem capacidade para apenas 1.800 pessoas.
Imagens exibidas pela emissora pública espanhola TVE mostraram uma multidão de migrantes tentando garantir uma vaga no alojamento. Em determinado momento, a polícia usou cassetetes e disparou balas de borracha para o alto para dispersar a aglomeração de pessoas.
A limitação de vagas é uma das principais preocupações das autoridades. Muitos passaram a noite na praia à espera de um lugar no abrigo temporário, mas milhares de migrantes devem permanecer fora do alojamento, que oferece chuveiros, banheiros, alimentação e camas.
Há uma semana, mais de 800 migrantes foram transferidos para outro espaço improvisado, chamado Los Rosales, em uma operação igualmente marcada por tumultos.
O deslocamento para o porto foi autorizado após decisões judiciais derrubarem obstáculos ao funcionamento do local. Um sindicato policial havia pedido a suspensão da transferência, enquanto também existiam questionamentos sobre a proximidade do alojamento com infraestruturas consideradas estratégicas. Diante da resistência da autoridade portuária, o governo do primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, retirou da administração regional de Ceuta, comandada pela oposição, o controle da instalação.
Crise migratória em Ceuta
Cerca de 72 mil pessoas atravessaram a fronteira a pé ou a nado entre Marrocos e o território espanhol nos dias 30 e 31 de julho, em uma das maiores ondas migratórias já registradas no enclave.
A maioria dos migrantes era formada por jovens marroquinos, que atravessaram a fronteira por mar, nadando ou utilizando boias e pequenas embarcações. O movimento provocou cenas de caos e levou a Espanha a reforçar a presença policial e militar na região.
Cerca de 10.000 migrantes permanecem em Ceuta desde o fluxo migratório intenso pela fronteira. A permanência dos marroquinos tem provocado protestos quase diários dos moradores do enclave e ataques esporádicos contra o acampamento improvisado na praia de El Trampolin.
