Irã lança ofensiva contra instalações militares dos EUA no Kuwait após operação em ilha com arsenal de mísseis

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Nesta sexta-feira, 31, o Irã anunciou ter realizado ataques com drones direcionados a instalações militares “estratégicas” dos Estados Unidos localizadas no Kuwait, além de ações contra dois petroleiros que tentavam passar pelo Estreito de Ormuz. Essa ação é uma represália a uma ofensiva realizada por Washington na madrugada anterior.

Segundo um comunicado da agência de notícias iraniana Fars, as forças armadas do Irã alegaram ter atacado locais que incluem “aviões de combate, sistemas de comunicações via satélite e depósitos de equipamentos na base aérea Ahmad al Jaber, no Kuwait”.

O governo iraniano destacou que os alvos atingidos eram essenciais para as operações aéreas e de vigilância dos EUA na região, funcionando como um ponto crucial para o suporte aéreo das tropas americanas.

Ainda segundo as forças iranianas, os “ataques decisivos e massivos” dificultaram significativamente a interceptação dos drones e mísseis por parte de Washington, mesmo com o aumento das defesas aéreas mais sofisticadas.

A Guarda Revolucionária Islâmica, o braço militar ideológico do Irã, também informou ter atacado dois petroleiros que estavam sob “escolta aérea” das Forças Armadas dos EUA ao tentar atravessar o Estreito. A Guarda afirmou que as embarcações tentaram seguir por “uma rota não declarada”.

“Os petroleiros que desrespeitaram as normas foram atacados e detidos, enquanto outros quatro rapidamente mudaram seus cursos e retornaram às suas posições anteriores”, declarou a Guarda em um comunicado oficial.

Por sua vez, o Exército do Kuwait confirmou que conseguiu destruir drones que invadiram seu espaço aéreo na manhã desta sexta. Apesar dos danos materiais provocados pela queda dos destroços, não houve relatos de feridos.

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“Fortaleza de mísseis”

A escalada das hostilidades foi uma reação aos ataques americanos nas proximidades da ilha de Qeshm e da cidade de Abadan, onde três membros de uma família perderam a vida na quinta-feira. Explosões também foram registradas nas províncias de Fars, Kish, Bushehr, Khuzistão e Hormozgan.

A ilha de Qeshm está localizada a apenas 22 km da cidade portuária Bandar Abbas e é considerada estratégica para o poder naval do Irã. Em entrevista à Al Jazeera, o brigadeiro-general aposentado Hassan Jouni comentou que Qeshm abriga “capacidades iranianas de ataque” em um complexo subterrâneo descrito como uma “cidade de mísseis”. Segundo ele, essa infraestrutura foi projetada especificamente para controlar ou fechar o Estreito de Ormuz.

Além disso, a ilha é vista como uma fortaleza missilística armazenada em cavernas labirínticas e florestas de mangue. Com uma área total de 1.445 km², Qeshm permite ao Irã exercer domínio sobre a entrada do estreito a partir do Golfo Pérsico, funcionando como um bloqueio na principal rota energética global.

No mesmo dia, forças iranianas realizaram ataques contra o Kuwait, resultando em uma morte devido ao bombardeio. Também houve ações contra a Jordânia, onde as defesas aéreas do país derrubaram cinco mísseis provenientes do Irã.

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No dia anterior, o presidente americano Donald Trump havia prometido retaliar com força contra o Irã: “Vamos golpeá-los severamente. Eles vão sentir isso”, declarou à Fox News.

Novas frentes

A atual onda de confrontos marca o fim de um período sem ataques diretos entre Estados Unidos e Irã, que têm alternado entre ofensivas e negociações nos últimos meses. Além disso, o conflito se espalhou para países como Iraque e Egito , até então menos afetados.

Nesta quinta-feira, um ataque com drones ainda não atribuído foi responsabilizado pelo incêndio em dois navios transportando gás natural liquefeito (GNL) no porto egípcio de Damieta – um deles era americano. Este incidente foi considerado a primeira incursão registrada no Egito desde o início da guerra no Oriente Médio em 28 de fevereiro.

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+ EUA fazem ataques ‘pesados’ contra o Irã em conflito que transborda para Egito e Iraque

Ainda que Teerã não tenha assumido oficialmente responsabilidade pelo ataque mencionado, autoridades iranianas disseram ao periódico The Washington Post que esta ação visava evidenciar vulnerabilidades em corredores energéticos cruciais no Oriente Médio e na região do Canal de Suez , caso o conflito se amplie.

Diante do fechamento do Estreito de Ormuz – responsável por 20% do abastecimento global antes do início da guerra – rotas alternativas para transporte petrolífero tornaram-se ainda mais relevantes. Na última quarta-feira, a Guarda Revolucionária informou ter interceptado três navios petroleiros nessa área marítima e declarou manter “controle total” sobre essa rota crucial.

A situação tensa no mar também trouxe atenção ao Mar Vermelho , cuja utilização pela Arábia Saudita , maior exportadora mundial de petróleo, aumentou desde o início da guerra. Contudo, os rebeldes hutis, apoiados pelo Irã e que controlam áreas significativas noIémen , anunciaram recentemente um bloqueio naval aos portos sauditas.

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A administração oficial iemenita denunciou que os hutis pretendem estabelecer um sistema de taxas sobre embarcações que transitam pelo Estreito de Bab al-Mandeb , acesso essencial ao Mar Vermelho. O ministro da Informação afirmou que a Guarda Revolucionária está “contribuindo nesse esforço”.

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