Um conglomerado de supermercados da Finlândia se viu inesperadamente associado ao grandioso funeral de Ali Khamenei, o ex-líder supremo do Irã, que foi morto em bombardeios realizados em conjunto por Estados Unidos e Israel no dia 28 de fevereiro. Imagens capturadas na última quinta-feira, 9, pela agência Reuters na cidade de Karbala, no Iraque, mostraram o caixão do aiatolá sendo retirado de um caminhão frigorífico ostentando a logomarca do K-Group, parte do grande grupo varejista Kesko, oriundo da Finlândia. Diante da repercussão dos vídeos nas redes sociais, a companhia decidiu iniciar uma investigação interna.
No vídeo, registrado durante a fase iraquiana do cortejo fúnebre, observa-se uma multidão se aglomerando em torno do frigorífico antes que suas portas traseiras fossem abertas. Na sequência, homens vestidos com trajes escuros retiraram um caixão de dentro do compartimento e o transportaram sobre as cabeças da multidão. O veículo exibia claramente os logotipos laranja e branco do K-Group.
A cerimônia seguiu para Najaf e Karbala — locais significativos para os muçulmanos xiitas — antes que Khamenei fosse sepultado em uma vasta mesquita localizada em Mashhad, no Irã.
Reações na Mídia
A cena rapidamente chamou a atenção na Finlândia, onde o tabloide Ilta-Sanomat classificou o acontecimento como “surreal” e destacou que os finlandeses provavelmente ficaram perplexos ao verem a marca do K-Market, amplamente conhecida no país, associada ao funeral de Khamenei. O principal jornal diário da Finlândia, Helsingin Sanomat, também abordou o episódio.
A emissora pública Yle destacou a situação com a manchete: “O caixão de Khamenei foi retirado de um veículo do K-Group no Iraque?”.
A Kesko informou à Yle que não tinha conhecimento prévio acerca do caminhão frigorífico e que tomou ciência do ocorrido apenas através das imagens divulgadas na mídia e nas redes sociais. Além disso, a empresa enfatizou que não opera sua própria frota e que as entregas são realizadas por meio de terceiros, sugerindo que algum parceiro logístico poderia ter comercializado o veículo sem remover as marcas do K-Group.
“É possível que um dos nossos parceiros tenha deixado os adesivos visíveis ao revender o equipamento”, declarou a Kesko em comunicado à Yle. A empresa ainda se comprometeu a reforçar junto às transportadoras a necessidade de remover tais adesivos antes da venda dos veículos.
Não existem evidências que indiquem qualquer relação da Kesko ou da K-Market com o cortejo fúnebre de Khamenei ou que sugiram que a companhia era proprietária ou operava o caminhão utilizado.
O jornal Helsingin Sanomat revelou que uma postagem em um grupo iraquiano no Facebook havia anunciado à venda um caminhão aparentemente idêntico ao visualizado em Karbala. A matéria confirmou que a marca do veículo, sua identificação visual externa e os equipamentos correspondem aos observados nas imagens divulgadas pela Reuters.
