Florestas espanholas em chamas: 12 mortos e várias pessoas continuam desaparecidas

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Um incêndio devastador na área de Almería, localizada no sul da Espanha, resultou na morte de ao menos 12 pessoas e deixou 23 indivíduos desaparecidos até esta sexta-feira, 10, conforme informações das autoridades regionais. O fogo se alastra em meio a uma severa onda de calor que atinge o continente, tornando junho o mês mais quente já registrado na história da Europa Ocidental.

Na tentativa de controlar as chamas, cerca de 150 bombeiros e cinco caminhões-pipa foram mobilizados durante a noite de quinta para sexta-feira, conforme relataram os serviços de emergência da região.

As autoridades andaluzas informaram que uma mulher sofreu queimaduras e outra pessoa apresentou intoxicação por fumaça, sendo ambas levadas a um hospital local. Além disso, quatro outras pessoas receberam atendimento por problemas respiratórios e queimaduras leves no local do incêndio.

“Estamos enfrentando uma situação que podemos considerar uma verdadeira tragédia”, afirmou Antonio Sanz, conselheiro andaluz de Emergências, nesta sexta-feira.

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O incêndio, que ainda está fora de controle e já é considerado um dos mais graves da história recente da Espanha consumiu pelo menos 3.150 hectares. As autoridades relataram que o combate às chamas tem se mostrado “muito complicado” devido ao relevo acidentado da região.

Conforme Sanz, aproximadamente 800 pessoas foram forçadas a evacuar suas residências, das quais quase 200 estão sendo abrigadas em centros de acolhimento.

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Testemunhas relataram às autoridades que o incêndio pode ter se iniciado pela queda de um cabo elétrico, que teria incendiado a vegetação seca antes de se espalhar pela área florestal. Contudo, as causas ainda não foram confirmadas oficialmente.

Onda de calor

A ocorrência do incêndio florestal coincide com uma intensa onda de calor que assola a Espanha e gerou alertas meteorológicos laranja — o segundo nível mais alto — em diversas áreas da Andaluzia nos últimos dias devido ao aumento das temperaturas. As altas temperaturas têm contribuído para a propagação das chamas, com mais de 50 mil hectares afetados por incêndios em todo o país até o início de julho (um número mais do que dobrado em relação à média para este período).

Na França vizinha, cerca de 300 focos de incêndio foram relatados somente na quarta-feira, dia 8. Até o momento, aproximadamente 28 mil hectares já foram devastados pelas chamas naquele país.

A severa onda de calor tem afetado todo o continente europeu desde maio, trazendo temperaturas extremas e provocando incêndios florestais que impactam tanto a infraestrutura quanto a saúde pública em várias cidades. Em Barcelona, os termômetros atingiram uma temperatura recorde em 112 anos: 44ºC na quarta-feira.

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A nova onda intensa de calor surge poucos dias após o programa europeu Copernicus ter anunciado que junho foi o mês mais quente já documentado na Europa Ocidental. Segundo dados do observatório climático vinculado à União Europeia, a temperatura média na região chegou a 20,74°C — mais de 3°C acima da média registrada entre 1991 e 2020 — superando o recorde do ano anterior.

Pesquisadores da rede World Weather Attribution afirmam que as altas temperaturas observadas em junho seriam praticamente impossíveis sem os efeitos do aquecimento global decorrente das atividades humanas. Segundo informações do Copernicus, atualmente a Europa é o continente que enfrenta as taxas mais rápidas de aquecimento global no planeta, resultando em ondas de calor e incêndios cada vez mais frequentes e intensos.

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