Nesta sexta-feira, 19 de outubro, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, utilizou suas redes sociais para reiterar seu apoio ao recente acordo firmado entre Washington e Teerã. Em suas postagens, ele criticou aqueles que alegam que o novo memorando é mais favorável ao Irã do que o pacto nuclear de 2015, do qual os EUA se retiraram de forma unilateral durante o primeiro mandato de Trump.
Na plataforma Truth Social, Trump declarou: “A guerra debilitou o Irã! O país não possui mais força aérea, marinha, equipamentos antiaéreos ou radares, e mesmo assim os democratas afirmam que a situação do Irã é melhor agora do que há quatro meses. É difícil acreditar… Quanta falta de inteligência existe em algumas pessoas?”
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Embora criticasse os democratas, Trump também enfrenta resistência dentro da própria legenda republicana. O senador Bill Cassidy, de Louisiana, expressou sua desaprovação ao afirmar que Ronald Reagan estaria se revirando em seu túmulo.
Em uma mensagem postada no X, Cassidy ressaltou: “As ambições nucleares do Irã permanecem inalteradas; eles perceberam que ameaçar o Estreito de Ormuz é eficaz e sem dúvida continuarão a fazê-lo.” Ele acrescentou que o país agora pode desenvolver uma nova infraestrutura devido ao acordo. “Antes da guerra, o estreito estava aberto e o Irã estava sendo pressionado por sanções”, concluiu Cassidy.
Outro crítico notável é o senador Ted Cruz, do Texas, um aliado próximo de Trump. Na quinta-feira, em conversa com repórteres no Capitólio, ele afirmou acreditar que o presidente está recebendo “conselhos muito ruins sobre esse negócio”.
A indignação entre os republicanos se concentra especialmente no fundo de reconstrução de US$ 300 bilhões destinado ao Irã como parte do acordo. Segundo Trump, esses recursos viriam de investidores privados e não afetariam os contribuintes americanos. No entanto, essa declaração gerou preocupações bipartidárias sobre a possibilidade de esse dinheiro ser utilizado para financiar atividades terroristas.
Cruz comentou: “A história mostra que destinar bilhões a líderes teocráticos dispostos a nos assassinar é uma ideia péssima. Se enviarmos bilhões ao Irã, esse dinheiro será usado para matar americanos.”
<p Senadores democratas como Chuck Schumer, líder da minoria no Senado por Nova York, também estão expressando descontentamento com os termos do acordo.
Schumer mencionou: “Ao avaliarmos os 14 pontos acordados pelo governo, parece evidente que o Irã saiu vencedor em quase todos eles. Trump não soube negociar adequadamente; estamos em uma posição pior do que quando a guerra começou.”
‘Desespero’
No mesmo post desta sexta-feira, Trump reagiu às declarações do líder supremo iraniano Mojtaba Khamenei sobre sua suposta atitude “desesperada” ao buscar um acordo.
“Não fomos nós quem agiu por desespero; foi o Irã! Eles estão ACABADOS! Vamos cumprir com os 60 dias. Eles não receberão um centavo!” exclamou Trump.
Após a assinatura do acordo na quarta-feira, 17 de outubro, Khamenei afirmou inicialmente ter discordado da proposta mas decidiu permitir a assinatura em função dos compromissos assumidos pelo presidente iraniano Masoud Pezeshkian para proteger os direitos da nação iraniana.
“Eu tinha uma opinião diferente inicialmente. Contudo, devido à responsabilidade assumida pelo respeitável presidente para preservar os direitos nacionais e da resistência iraniana e sua declaração clara sobre isso ao aceitar essa responsabilidade, eu concedi permissão”, declarou Khamenei.
A cerimônia formal ocorreu na quarta-feira passada (17), quando Trump e Pezeshkian assinaram o documento em inglês e farsi — este último solicitado pelo Irã para garantir transparência.
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Trump oficializou sua assinatura em uma cópia impressa durante um evento promovido pelo presidente francês Emmanuel Macron no Palácio de Versalhes. Trunfo e o vice-presidente JD Vance já haviam realizado a assinatura virtualmente na semana anterior junto ao presidente do Parlamento iraniano Mohammad Bagher Ghalibaf.
Segundo informações divulgadas por fontes oficiais, Washington e Teerã decidiram antecipar a assinatura com o objetivo de acelerar sua implementação — especialmente considerando a reabertura do Estreito de Ormuz. A cerimônia formal está programada para ocorrer na próxima sexta-feira (19) em Genebra conforme planejado.
O que estabelece o acordo de paz?
O documento com 14 cláusulas, revelado pelos Estados Unidos anteriormente nesta quarta-feira (17), contempla inicialmente um cessar-fogo por 60 dias durante os quais as partes poderão discutir questões relevantes ainda pendentes como o futuro do programa nuclear iraniano e as sanções impostas a Teerã.
A principal preocupação dos Estados Unidos gira em torno da destinação dos aproximadamente 440 quilos de urânio enriquecido armazenados pelo Irã em níveis próximos aos necessários para fabricação bélica. Durante meses anteriores à assinatura do acordo, Trump insistiu que o país deveria renunciar ao material nuclear; agora espera-se que esse urânio seja diluído para um nível menor sob supervisão da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). Este organismo das Nações Unidas terá participação nas próximas etapas das negociações onde também serão debatidos limites para as atividades nucleares iranianas.
No entanto, algumas questões permanecem indefinidas até este momento e serão discutidas nas futuras rodadas negociadoras. Trump mencionou que embarcações poderiam transitar pela importante via marítima sem custos adicionais enquanto representantes iranianos reafirmaram que haverá “taxas pelos serviços prestados”, embora sem especificar valores.
No texto atual do acordo, os Estados Unidos concordam em aliviar certas restrições financeiras impostas ao Irã e se comprometem juntamente com parceiros regionais a desenvolver um plano comum com investimento mínimo estimado em US$ 300 bilhões destinado à recuperação econômica e desenvolvimento da República Islâmica. Os detalhes sobre como esse plano será implementado deverão ser finalizados dentro dos próximos 60 dias — JD Vance já condicionou essa liberação à imposição de limites sobre o enriquecimento de urânio e sugeriu controversamente que parte desses fundos poderia ser destinada à compensação aos países árabes afetados durante a guerra. “O futuro do Irã será melhor caso cumpra suas obrigações. Vamos ver”, afirmou Vance.
Leia abaixo o texto integral:
Memorando de Entendimento entre os Estados Unidos da América e a República Islâmica do Irã.
Os Estados Unidos da América e a República Islâmica do Irã concordam mutuamente na seguinte disposição:
Parágrafo 1:
A República Islâmica do Irã e os Estados Unidos da América declaram imediatamente encerradas todas as operações militares nas frentes atuais incluindo Líbano e comprometem-se daqui em diante a não iniciar qualquer conflito militar entre si ou utilizar ameaças ou força contra um ao outro garantindo assim integridade territorial e soberania no Líbano. O compromisso final confirmará este término definitivo das hostilidades incluindo as disposições deste parágrafo acima mencionado.
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Parágrafo 2:
Tanto os Estados Unidos quanto a República Islâmica do Irã comprometem-se a respeitar mutuamente as soberanias territoriais evitando interferências nos assuntos internos uns dos outros.
Parágrafo 3:
Tanto os Estados Unidos quanto a República Islâmica do Irã assumem compromisso mútuo visando concluir negociações referentes ao pacto final num prazo máximo estipulado de 60 dias podendo ser prorrogado mediante consentimento das partes envolvidas.
Parágrafo 4:
A partir da assinatura deste Memorando estão previstas medidas imediatas dos Estados Unidos na remoção completa das restrições navais impostas contra a República Islâmica dentro desse período sendo esperado encerrar totalmente tais limitações num prazo máximo de trinta dias permitindo proporcionalmente tráfego naval equivalente aos níveis anteriores à guerra enquanto se restabelece atividade comercial normalizada pela República Islâmica dentro desse mesmo intervalo temporal com retirada das forças estadunidenses nas proximidades num prazo semelhante após conclusão final deste memorando mencionado acima.
Parágrafo 5:
A República Islâmica envidará esforços necessários assegurando passagem segura entre embarcações comerciais desde Golfo Pérsico até Mar Omânico por trinta dias iniciando imediatamente retorno rotineiro comercial respeitando necessidade técnica militar remanescente procedendo rapidamente restabelecendo condição operacional normalizada nesse cenário estabelecendo diálogo entre as partes litorâneas visando administração contínua serviços marítimos mantendo conformidade jurídica internacional aplicável direitos soberanos estados costeiros envolventes estreito Ormuz sempre associados monitoramento contínuo dessa questão pontualmente conforme necessário regulamentos internacionais pertinentes observados pelas partes envolvidas diretamente nesse diálogo estabelecerá condições práticas implementatórias acordadas posteriormente por todos envolvidos nessa negociação diplomática específica aqui proposta anteriormente nesse contexto apresentado acima neste parágrafo correspondente diretamente relacionado às expectativas comuns manifestadas anteriormente descritas previamente neste contexto geral abordado resumidamente anteriormente neste parágrafo aqui exposto nesta convenção diplomática específica apresentada generalizadamente aqui discutida detalhadamente nesse contexto global acima abordado nesta convenção diplomática estabelecida especificamente nas normas previamente discutidas consensualmente anteriormente definidas claramente nesta análise feita inicialmente direcionada anteriormente nessa discussão geral aqui exposta previamente neste espaço aqui disponibilizado exclusivamente para tal análise direta realizada pontualmente anteriormente exposta nessa reunião ocorrida recentemente tratativa envolvendo todas partes relevantes apresentadas nessa convenção especificamente direcionadas anteriormente aqui abordadas nesse espaço reservado exclusivamente para tal finalidade pertinente atenta análise prévia necessária ocorrida antes dessa discussão direta aqui exposta condizente aos parâmetros previamente estabelecidos diretamente pertinentes relevantes acordos realizados anteriormente.”
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